Um tagarela que não dava sinais de vida. Ave considerada extinta há 170 anos reaparece na Indonésia

Um dos pássaros mais enigmáticos, o tagarela-de-sobrancelha-negra não aparecia desde 1850. A comunidade científica confessa-se perplexa, mas também emocionada.

Foi um momento de celebração, incredulidade e oração para Panji Gusti Akbar, o ornitólogo que descobriu uma espécie que há mais de um século não aparecia diante dos olhos dos cientistas.

Desaparecido há mais de 170 anos, o tagarela-de-sobrancelha-negra, uma ave de penas pretas e castanhas, com uma mancha escura à altura do olho, acaba de voar para fora de um período de omissão que a tornou "um dos grandes enigmas da ornitologia indonésia".

Ao jornal The New York Times, Panji Gusti Akbar deu conta do rejubilo, da sensação de descrença, mas de intensa felicidade que sentiu quando pôs os olhos no pássaro. Os elementos da espécie tagarela-de-sobrancelha-negra já eram raros em 1850, quando foi detetado pela última vez um pássaro deste tipo.

O tagarela-de-sobrancelha-negra foi inicialmente rotulado erradamente como oriundo da ilha de Java, em vez de Bornéu, a verdadeira origem da ave. O engano dificultou as subsequentes tentativas para localizar outros animais.

Eram poucos os observadores de pássaros que se aventuravam pelo território indonésio de Bornéu, com uma floresta tropical densa e repleta de biodiversidade. Por isso, quando os ornitólogos esclareceram a confusão geográfica, continuou a não haver rasto da ave.

O trabalho da fundação BW Galeatus, que se dedica à observação de pássaros em Bornéu, foi crucial para a descoberta, incutindo, junto das populações locais, conhecimento sobre a diversidade de aves que o arquipélago continha. Muhammad Suranto e Muhammad Rizky Fauzan, dois residentes de Bornéu, manifestaram a curiosidade por um pássaro preto e castanho que surgia, por vezes, a voar na floresta. Quando finalmente o apanharam, fotografaram-no, mas a descrença não permitia a identificação final.

Panji Gusti Akbar desfez equívocos: a imagem da ave correspondia ao perfil de um pássaro dado como extinto. As conversas entre alguns biólogos asiáticos conduziram à conclusão sobre a legitimidade da identificação. A comunidade científica descreve a descoberta como "chocante" e "decisiva", e Ding Li Yong, biólogo de conservação em Singapura chega mesmo a revelar ao jornal The New York Times que o acontecimento o deixou com uma "lágrima no canto do olho".

O exemplar da espécie tagarela-de-sobrancelha-negra foi libertado no seu habitat natural, mas a descoberta já suscitou o interesse de observadores de pássaros de todo o mundo, que querem viajar para a região para estudar o animal. "Não há qualquer conhecimento acerca deste pássaro", reconhece Panji Gusti Akbar.

"Bornéu é uma ilha de surpresas e há muito a ser descoberto e aprendido", acrescenta Ding Li Yong.

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