"Rússia deve cessar hostilidades." Costa condena ameaças "irresponsáveis" e pede investigação independente

O primeiro-ministro português discursou esta quinta-feira na 77.ª Assembleia Geral das Nações Unidas.

O primeiro-ministro português, António Costa, falou esta quinta-feira na Assembleia Geral das Nações Unidas. O discurso surge no dia a seguir a Joe Biden e Volodymyr Zelensky terem discursado no mesmo púlpito.

No púlpito da Assembleia Geral da ONU, António Costa inicia o discurso com a "invasão injustificada e não provocada da Ucrânia".

"A gravidade dos atos cometidos torna imperativa uma investigação independente, imparcial e transparente para que os crimes cometidos não passem impunes. Não podemos, por isso, deixar de condenar, uma vez mais, a agressão russa e aqui reforçar o apoio de Portugal à soberania, independência e integridade territorial da Ucrânia", refere o primeiro-ministro.

António Costa afirma que "a Rússia deve cessar hostilidades" para "permitir a criação de um diálogo sério e sustentado", de forma a alcançar "o cessar-fogo e a paz".

O primeiro-ministro manifestou também a solidariedade de Portugal para "com todos aqueles que, em todo o mundo, e em particular no continente africano, sofrem com os impactos da invasão da Ucrânia pela Rússia", realçando que "têm sido os mais vulneráveis aqueles que mais sentem o impacto da crise energética e alimentar - depois de fustigados por quase três anos de crise pandémica".

Nesse sentido, António Costa revela que é necessário "um Conselho de Segurança representativo, ágil e funcional, capaz de responder aos desafios do século XXI sem ficar paralisado, e cuja ação seja escrutinada pelos restantes membros das Nações Unidas". O primeiro-ministro já tinha abordado o tema na quarta-feira, quando questionado sobre a proposta de Joe Biden para uma reforma do órgão das Nações Unidas.

O chefe de Governo português pede um Conselho de Segurança "onde o continente africano, e pelo menos o Brasil e a Índia tenham assento", ao mesmo tempo que "os pequenos países estejam mais justamente representados".

Relativamente às alterações climáticas, António Costa considera que a COP-27 "possa ser um momento que conduza a uma transição inclusiva, assegurando uma repartição mais equilibrada do financiamento climático entre a mitigação e a adaptação".

"Portugal tem estado na linha da frente do processo de descarbonização, tendo sido o primeiro a assumir o compromisso de alcançar a neutralidade carbónica até 2050, logo na COP 22 em Marraquexe", referiu.

"Queremos até 2026 aumentar de 60% para 80% o peso das renováveis na eletricidade consumida", promete o primeiro-ministro.

Os oceanos foram outro dos temas abordados por António Costa: "Congratulamo-nos com a ativa participação de todos os Estados na segunda Conferência dos Oceanos, que tivemos a honra de coorganizar com o Quénia. A Declaração de Lisboa constitui um verdadeiro plano de ação para alcançar o ODS 14 sobre conservação e uso sustentável dos recursos dos Oceanos."

António Costa propõe um "Tratado sobre Pandemias", com o objetivo de "garantir a vacinação eficaz e equitativa em todo o mundo, melhorar a arquitetura global de saúde e encontrar formas de responder de forma mais rápida, coordenada e decidida a futuras crises".

"Nenhum futuro será verdadeiramente transformador sem sociedades pluralistas, inclusivas, que promovam a igualdade de género e combatam a discriminação racial, o racismo, a xenofobia e todas as formas de intolerância", acredita o primeiro-ministro português.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de