A bola a meio da ponte

Ninguém pode arriscar certezas absolutas sobre o que pode suceder na segunda metade do campeonato, até porque o passado recente já avisou para que se evitem prognósticos peremptórios. Ainda assim, o fecho da primeira volta da Liga portuguesa deixa várias indicações importantes. Estamos a meio da travessia da ponte, é certo, mas já dá para ver o que aí pode vir.

Sendo que, no que respeita ao mais relevante, confirmou aquilo que se percebera muito cedo : só há dois candidatos ao título.

Benfica - Uma primeira volta implacável, com um recorde de 48 pontos. Uma única derrota - ironicamente, na Luz frente ao FC Porto - e 16 triunfos. Nem sempre brilhou, mas demonstrou um grau de eficácia acima da média (42 golos) e uma consistência defensiva (só seis golos sofridos) que não têm paralelo com a concorrência, confirmando-se como o plantel mais forte e com mais alternativas da Liga, mas que, apesar disto, continua a reforçar-se. Está destacado na "pole position" para a segunda metade da prova e só depende de si próprio para ser campeão. A missão de Bruno Lage é não permitir que Sérgio Conceição lhe faça o que ele fez ao técnico portista na época passada.

FC Porto - Não pensaria chegar aqui com sete pontos de atraso para as águias, principalmente depois da vitória na Luz, o ponto alto dos dragões na primeira volta. O problema é que o ponto mais baixo registou-se na última jornada, com um autêntico "suicídio desportivo" perante o Braga. Falhar dois penáltis é daquelas coisas que um grande não pode fazer em qualquer circunstância. Conclusão : se esta diferença se mantiver até ao FC Porto - Benfica, só a vitória nesse jogo serve os dragões. Qualquer outro desfecho significa o adeus ao título.

Sporting - Uma verdadeira via sacra, consequência de um plantel mal construído, mudanças de treinador e uma convulsão interna no clube que parece nunca mais acabar. É quarto classificado, atrás de Benfica e FC Porto - o que não espanta - mas também do Famalicão. E apenas com dois pontos de vantagem sobre o Braga. Mesmo trabalhando sobre um cenário negro, esperava-se um registo melhor. Resta-lhe tentar recuperar o terceiro lugar e, à margem do campeonato, jogar uma derradeira cartada na Taça da Liga, único título ainda possível nesta temporada.

Famalicão - O grande destaque logo a seguir aos grandes, precisamente porque com metade do campeonato já realizado está no meio deles : é terceiro. Mesmo a 17 pontos do líder e a dez do segundo, mas à frente dos outros 15(!) clubes. Impensável quando tudo isto começou, mas justíssimo por aquilo que tem feito. È um projeto muito profissional, longe de aventureirismos que marcaram outros clubes. João Pedro Sousa e os seus jogadores sabem muito bem o que fazem e a estrutura que os suporta também. Não por acaso estão igualmente nas meias finais da Taça de Portugal. E é um clube com adeptos, o que faz toda a diferença para outros com uma base social de apoio quase inexistente.

Europa - Entre os habituais clientes dos lugares para a UEFA, o Braga é o que acaba melhor colocado. Brilhante na Liga Europa, titubeante no campeonato, começou a recuperar e a avançar para uma posição que faz mais sentido com a sua qualidade. Se assim continuar, pode ser uma referência importante na segunda volta. Mas o mesmo poderá dizer-se do Vitória de Guimarães que é outra das equipas que melhor futebol tem apresentado, o que só ajuda a reforçar a ideia de que quem joga bem está mais perto de atingir os objetivos. Já agora, neste lote de possíveis candidatos a um lugar europeu, convém não excluir o Rio Ave. A ver vamos.

Permanência - Dois lutam pelo título, cinco lutam pela Europa e do oitavo lugar para baixo temos uma espécie de segundo campeonato dentro do campeonato. Entre o Gil Vicente e o primeiro acima da linha de água (Belenenses SAD) há sete pontos de diferença. E o penúltimo (Portimonense) está apenas a um dos azuis do Jamor. Na prática, mais de metade das equipas da tabela luta pelo pontinho que lhes garanta a sobrevivência. É uma outra maneira de ler a tão falada "competitividade" da nossa Liga.

VAR - Antes de aparecer era apontado como a "salvação" da verdade desportiva. Hoje, é um verdadeiro saco de boxe atingido por praticamente todos os clubes. Interessa-lhes pouco que 90 e tal por cento dos erros grosseiros tenham desaparecido, porque o problema está na restante percentagem que, de facto, regista asneiras incompreensíveis. O protocolo tem vários equívocos, mas a incapacidade evidente de alguns videoárbitros ainda ajuda mais a enterrar aquela que poderia ser uma boa ajuda. Mas voltarei ao assunto oportunamente, porque este tema não se despacha em meia dúzia de linhas.

Violência - O mais grave de tudo. Esta primeira volta encerra com mais uma chuva de tochas para o relvado e com mais um jogo obrigado a interrupção. Enquanto o poder político e os clubes - sim, tem de haver uma ação concertada - não agirem em conformidade vedando a entrada desta gente nos estádios de futebol, nada vai mudar. Aliás, a tendência é para piorar, porque os autores de tais barbaridades já perceberam que o campo de manobra de que dispõem até é maior do que eles próprios julgavam.

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