Depois de tanta gente durante tanto tempo procurar justificar a insegurança de um dos países mais seguros do mundo com perceções sucessivamente desmentidas pela realidade dos números, confirma-se que a criminalidade em Portugal está a subir, pelo menos num segmento, o dos crimes de ódio. "Aumentaram sete vezes" nos últimos anos, confirmou o diretor nacional da Polícia Judiciária, Luís Neves.
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A realidade desmente a narrativa da direita populista, mais uma vez. O problema não são os ciganos, não são os estrangeiros, não é a minoria LGBT, está bom de ver. Pelo contrário, estes são as grandes vítimas de movimentos extremistas, como o Grupo 1143. As autoridades prenderam esta semana 37 elementos deste bando organizado, comandado por um criminoso a partir da cadeia, mas muitos continuam à solta, como se pode perceber através de uma visita rápida aos charcos mais imundos da redes sociais.
Pior ainda, entre os detidos encontram-se militantes do partido Chega, alguns candidatos, no passado recente, a cargos públicos, o que denota uma aposta na integração no espaço político, de resto bem explicada no livro "Por dentro do Chega", do jornalista e investigador Miguel Carvalho. É Mário Machado, líder do Grupo 1143, quem incentiva os ultranacionalistas à filiação no partido de Ventura.
E assim verificamos que não é apenas o mundo que anda aos trambolhões em solavancos ideológicos. Também por cá temos os nossos guardiões da raça, neonazis mal resolvidos que aspiram combater numa guerra contra os imigrantes. Ironicamente, os autoproclamados defensores da segurança nacional são a maior ameaça à paz pública que dizem querer proteger. A realidade não mente: a verdadeira ameaça não vem de quem atravessa fronteiras para trabalhar, mas de quem as quer erguer.
