A notícia, com um retrato fiel da realidade, dava conta da falta de ambulâncias para a resposta pedida pelo INEM. Não vou entrar nas causas deste problema, recorrente e ainda sem solução.
Hoje quero falar da resposta dos bombeiros com a criação de uma task-force para evitar a falta de socorro de emergência na grande Lisboa.
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A ideia passou à prática no fim de semana e as ambulâncias foram realmente úteis e poderão ter mesmo ajudado a salvar vidas. Tiveram 16 apoios de urgência a pedido do INEM.
O que se esperava: um aplauso com um obrigado aos bombeiros, uma reunião de emergência e uma solução para passar de imediato ao terreno, logo no começo da semana, para a realidade começar a ser... Se pedimos ajuda de emergência ao INEM, há uma equipa e uma ambulância para nos socorrer.
Mas não foi nada disto que aconteceu e o socorro continua com problemas.
A Proteção Civil, que, digo eu, deveria ter pensado nisto, reagiu indignada e abriu um processo contra esses desobedientes bombeiros, por se terem atrevido a encontrar uma resposta para um problema grave do sistema de socorro, quando quem o deveria fazer seguiu para o seu tranquilo fim de semana sem a mínima preocupação com a realidade.
Isso mesmo. A resposta à disponibilidade dos bombeiros foi um inquérito.
A coisa pareceu tão absurda, que até a Proteção Civil lá pensou, chamou os bombeiros e lá decidiram o óbvio: procurar uma solução para o problema, que ainda não foi encontrada e já passou metade de mais uma semana. À boa maneira de quem não quer ou não sabe decidir, empurra-se com a barriga, mesmo que o assunto seja emergência na saúde, no fundo, as nossas vidas.
O que está a acontecer nos hospitais, na emergência e até nesta reação da Proteção Civil é preocupante. Fica a ideia de que não se quer resolver o problema e parece que estamos a pintar um quadro de caos para depois se tomar uma decisão qualquer mais radical para se mudar o atual sistema, com dor, mas com esse argumento de que estava tudo mal e o melhor é deitar tudo abaixo. Mas não vou entrar em teorias da conspiração, apenas partilho esta dúvida com quem está a acordar com a TSF e certamente estará atento ao que acontece, na realidade, no Serviço Nacional de Saúde.
Continua a ser um mistério a incapacidade de organização da saúde em Portugal. Há problemas no público, mas também quem vai ao privado já tem longas esperas nas urgências e no acesso a algumas consultas. Os portugueses que pagam seguros de saúde já começam a perceber isto.
Vou acreditar, por momentos, na palavra do primeiro-ministro, que diz que não há caos na saúde, que a espera nas urgências até é menor que no ano passado e que isto é um problema de perceção.
Deixo para si a conclusão sobre a realidade. Diz o povo: 'Com a saúde não se brinca.' Mas o que vemos nestes dias, às vezes, parece mesmo uma brincadeira de muito mau gosto.
