Como me dizia uma estimada amiga, o debate entre António José Seguro e André Ventura foi uma frustração onde nem sequer o tema da coesão territorial se discutiu. Mais entrevista dupla do que debate, o frente a frente dos candidatos à Presidência da República pouco terá contribuído para o esclarecimento dos eleitores indecisos. Foi mais do mesmo, sobrando uma ou outra graçola para fazer as delícias do comentário nas redes sociais e a impressão de que, por vezes, parecia estarmos num duelo entre aspirantes ao lugar de Luís Montenegro.
O facto de um tema como a coesão territorial não ter sido abordado, e a questão poderia ter sido colocada na mesa tanto por jornalistas como por candidatos, confirma que o centralismo é como resina colada à pele do país. Por mais que se limpe, custa sempre muito a sair.
Mais do que desenvolver teses sobre regionalização, sim ou não, é o respeito pelos eleitores que está em causa. Sobretudo quando percebemos que a taxa de participação eleitoral é mais significativa no interior do que litoral. Mas como são menos eleitores, acabam sucessivamente esquecidos. Tão importante como a coesão territorial, também a coesão social está em causa. Os candidatos insistem no apelo ao voto junto dos eleitores mais jovens, mas depois esquecem-se de questões básicas. Num estudo divulgado esta quarta-feira, percebe-se que a distância dos grandes centros dificulta o acesso, e, depois, o sucesso dos estudantes mais pobres no Ensino Superior. Não teria a questão mérito suficiente para ser discutida?
Mas nem ao de leve, porque, em política, há um problema recorrente: no balanço final do debate, entre o espetáculo de estúdio e o centralismo crónico, o país real continua a ser um detalhe estatístico. No teatro de 2026, a coesão surge apenas como uma palavra bonita que os candidatos guardam na gaveta, logo ao lado das promessas que o esquecimento teimará não deixar sair.
