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Na abertura dos debates para as presidenciais... lá veio o tema da imigração com o que seria uma medida lógica para resolver os problemas da saúde e do acesso às creches e escolas.
A ideia é esta;
Nos hospitais, primeiro são atendidos os portugueses e depois se vê como se faz com os imigrantes. Mas os portugueses teriam sempre preferência.
O mesmo nas creches e escolas. Lugares para imigrantes só depois de garantido o acesso aos portugueses. A medida faz parte dos programas de vários partidos por toda a Europa... e é defendida como uma panaceia também em Portugal.
Mas olhemos um bocadinho além da espuma dos dias. Portugal tem espalhados pelo mundo cerca de dois milhões de emigrantes. Só em França são cerca de 600 mil.
O que acharão estes portugueses desta ideia de passarem a ser também cidadãos de segunda nos países onde vivem? E quando forem eles a chegar a um hospital francês, ou no Luxemburgo e lhes disserem para irem para o fundo da fila sem garantia de acesso à saúde e ao ensino em condições de igualdade, como agora acontece?
Podemos dizer sempre que os portugueses espalhados pelo mundo são diferentes... mas a realidade é que são emigrantes também e olhados da mesmíssima forma como agora estamos a querer tratar os que vêm para Portugal garantir o funcionamento de inúmeros sectores fundamentais para a nossa economia.
O discurso simplista tem estas coisas. Um país com dois milhões de cidadão espalhados por todo o mundo deveria pensar mais um bocadinho antes de entrar nestas cruzadas populistas... que evidentemente terão um fim triste para quem está a fazer pela vida lá fora. É que o populismo contra os migrantes... como já disse nesta crónica não é um exclusivo de Portugal e está a crescer de forma muito preocupante por todo o lado, em particular na Europa e nos Estados Unidos.
Convém lembrar: Portugal é hoje o país europeu que, proporcionalmente, tem o maior número de emigrantes. Na escala global, somos o oitavo país com mais trabalhadores no estrangeiro.
Quem ouve cá este discurso de 'primeiro os portugueses' e os aplausos que lhe fazem parece que estamos numa outra realidade e num país completamente diferente.
Esta é uma questão importante e não a podemos nunca desligar de uma realidade global... onde facilmente se defenderá os franceses primeiro, os suíços primeiro. Os alemães primeiro... e os portugueses e os outros estrangeiros nesses países?
Defendemos mesmo isto?
