Ainda antes da guerra, Trump tinha chamado estúpidos aos países que defendem as energias limpas, como o sol e o vento, apelando ao regresso dos combustíveis fósseis nos carros e na produção elétrica. Dizia que há muito petróleo e que as opções sustentáveis são uma falácia. Estúpidos, voltem lá ao petróleo, não inventem.
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Olhando para os efeitos desta guerra, com o gasóleo a chegar de novo aos dois euros por litro, apetece-me dizer que estúpidos seremos se não dermos mais passos decisivos para cortar ao mínimo a dependência do petróleo.
É preciso um programa sério para incentivar, por exemplo, as famílias a terem produção própria de energia, com sol e vento. O mesmo com as empresas, mesmo que isso signifique afrontar os poderosos distribuidores de eletricidade em Portugal. O país tem de ter verdadeiras alternativas, para não ficar num sufoco cada vez que se abre mais uma guerra ou o humor de um Presidente leva a um descontrolo dos preços do petróleo.
O debate sobre o nuclear está reaberto, com a França a liderar esse processo. A Comissão Europeia já admite que quer que cerca de 30% da energia da União tenha origem em centrais nucleares.
Este é um tempo de grandes incertezas. Não sabemos como é que esta maldita guerra vai acabar, nem como e com que efeitos. Sabemos, sim, que já a estamos a pagar e a fatura tende a crescer a cada dia que passa.
Trump já percebeu isso. Ele entende sempre a linguagem do dinheiro e a pressão começa a ser muita, quer da opinião pública americana, mas principalmente dos Estados árabes que se viram enrolados neste conflito. Eles estão a perder biliões de dólares e deitar dinheiro ao lixo é coisa que não se gosta mesmo nada naquelas paragens.
Trump já admite declarar o fim da guerra, mesmo sem mudar o regime e ter a certeza de que o Irão não vai fazer uma bomba atómica. Vamos ver se Israel vai deixar e se isto não será muito mais longo e maior do que estamos a imaginar.
Voltando ao início.
Seremos, sim, estúpidos, se não fizermos mesmo uma mudança do nosso paradigma energético. Temos sol, vento e água com fartura. Basta não sermos estúpidos para aproveitar isto bem e deixarmos de estar tão ligados aos humores imprevisíveis de quem controla o petróleo.
Portugal tem sido pioneiro nesta mudança, mas está a perder ritmo.
Este terá mesmo de ser um desígnio nacional e uma prioridade para quem decide. Não podemos andar a pagar as guerras e os caprichos dos outros. Já chegam muito bem os nossos.
