As vítimas que não aparecem nos relatórios da DGS

Daniel Oliveira defende que é preciso estar atento e ajudar aquelas que são as vítimas invisíveis do surto de Covid-19. No espaço de opinião que ocupa semanalmente na TSF, o jornalista lembrou que, com o confinamento de muitos cidadãos e o encerramento de empresas, é possível "ter como vizinho do lado uma vítima e não dar por nada".

O comentador nota que, além das pessoas infetadas pelo novo coronavírus, há muitas outras que estão a ser afetadas e a atravessar dificuldades por causa desta pandemia.

"Há vítimas que são as pessoas que já foram despedidas por empresários que não querem partilhar o risco, mas que depois vão pedir apoio ao Estado, para partilharmos o prejuízo", aponta Daniel Oliveira, lembrando que existem milhares de trabalhadores precários "que foram imediatamente dispensados das empresas ou que não viram os seus contratos renovados".

O jornalista indica também como parte deste grupo de "vítimas invisíveis" os artistas, que "estão sem trabalho e sem qualquer tipo de rendimento para a sua própria subsistência imediata", os pequenos empresários, que "tentam segurar os seus negócios, para assegurar postos de trabalho, e que estão a perder as suas economias" e, no sentido inverso, os trabalhadores de call centers, que "são obrigados a trabalhar, correndo imensos riscos", quando podiam exercer a sua atividade profissional a partir de casa.

Mas há ainda outro tipo de vítimas, identificadas por Daniel Oliveira, nesta pandemia: as vítimas do confinamento. São elas os "idosos, que estão ainda mais sozinhos e muito assustados; pessoas com doenças psiquiátricas, que estão muito ansiosas (o que, no caso de algumas patologias, é especialmente grave) e que veem as suas consultas ser adiadas, ou as pessoas com graves problemas de saúde".

Para o comentador, todos temos o dever de ajudar e contribuir para que os efeitos desta pandemia não passem de uma crise económica a uma crise humanitária.

"Se queremos ser realmente patriotas, o nosso dever não é pôr bandeiras nas janelas, nem ficar paralisados de medo a contar o número de infetados a cada dia; é ajudar os nossos vizinhos, telefonar aos amigos, aos familiares e aos colegas e perguntar se precisam de ajuda", defende.

"Na emergência em que vivemos, não será possível o Estado acudir muita gente ao mesmo tempo. Nem o nosso, nem Estado nenhum. Por isso, temos que fazer a nossa parte e ajudar as vítimas que não aparecem nos relatórios da DGS", sublinha Daniel Oliveira. "E, para ajudar, temos que começar por vê-las, por lembrarmo-nos de que elas existem."

Texto: Rita Carvalho Pereira

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de