Benfica no Dragão: os números contam?

Não me recordo do Benfica ir jogar com o Porto para o campeonato com uma vantagem de sete pontos. Este dado serve como ilustração de que a atual temporada está a ser diferente das anteriores. Contudo, está longe de ser o único facto que, à partida, aparenta favorecer o Benfica no jogo do Dragão.

O registo recente, com Lage aos comandos, impressiona: são 16 triunfos consecutivos neste campeonato e 18 triunfos consecutivos em deslocações na Liga NOS (desde o último jogo de Rui Vitória, em Portimão, já lá vai mais de um ano, o Benfica venceu em todos os campos). É um record absoluto no campeonato português.

Um registo que tem repercussões que vão para além do último ano. Aliás, quando olhamos retrospetivamente para os clássicos disputados no Dragão, damos conta de que alguma coisa está de facto a mudar. Depois de anos seguidos de grandes dificuldades, o histórico recente é bem mais favorável ao Benfica. Nas últimas vinte deslocações ao campo do nosso principal rival para a Liga, o Porto venceu por doze vezes, houve cinco empates e o Benfica saiu vitorioso apenas por três vezes (a temporada passada com Lage; em 14/15, com Jorge Jesus aos comandos e em 05/06, com Koeman - num ano em que foi o Porto a sagrar-se campeão).

No entanto, se considerarmos apenas as últimas cinco temporadas, o cenário é bem mais favorável ao Benfica. O Benfica perdeu apenas por uma vez (num ano em que se sagrou campeão), empatou duas vezes e saiu vitorioso outras duas. Ou seja, o Dragão já não é o papão que foi durante muitos anos, o que ajuda, aliás, a explicar por que motivo o Benfica venceu cinco dos últimos seis campeonatos.

A superioridade que o Benfica vem demonstrando em campo alicerça-se, naturalmente, num plantel mais valioso, mais profundo e - fundamental - com vínculos contratuais mais duradouros. O futebol é, por definição, o desporto mais democrático - e é aí que reside o seu fascínio -, pelo que as equipas mais fortes não estão condenadas a vencer sempre. No entanto, o valor de mercado dos planteis é um indicador relevante para aferir da qualidade dos jogadores e da propensão às vitórias, em particular nas competições longas.

De acordo com os valores do Transfermarket calculados por A Bola, o plantel do Benfica está avaliado em 336 milhões (tem em Rúben Dias com 38 milhões e Grimaldo com 35 milhões os jogadores mais valiosos), já o plantel do Porto está estimado em 273 milhões (sendo o jogador mais valioso Alex Teles - 40 milhões -, seguido por Danilo com 30 milhões). Se considerarmos apenas o onze titular, a equipa tipo do Benfica vale 240 milhões, que comparam com os 145 milhões do Porto.

É um facto que, se tomarmos como relevante quer o histórico recente, quer o valor de cada plantel, o jogo deste sábado no Dragão aparenta ser menos difícil para o Benfica do que foi habitual nos últimos (longos) anos. Contudo, outra das virtudes do futebol é que se as estatísticas nos ajudam a perspetivar e a analisar os jogos, no momento em que a bola roda começam logo a ser derrotadas. Em campo, o que conta é o momento, os arranjos táticos, as abordagens estratégicas e uma boa dose de fortuna. Sábado, no Dragão, não será diferente.

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