Bom trabalho, camaradas

Infelizmente, esta crónica tem de começar com um ponto prévio, muito por causa do nível a que chegou o debate político no espaço público em Portugal, com claques organizadas e a ideia firme de que quem não está do nosso lado, está contra nós. O ponto prévio é muito simples: eu não sou simpatizante e, menos ainda, militante do Partido Comunista Português.

Mas acho muito bem que o PCP organize o XXI congresso, em Loures, este fim-de-semana. A Democracia não está suspensa, Portugal não vive num regime de partido único e importa, por isso, que se mantenha viva a pluralidade de opiniões. Até para evitar que se instale a ideia de que, sendo todos iguais, uns são mais iguais que outros. Tipo: enchente no santuário de Fátima no 13 de Setembro, sem que Cristo tivesse de descer à terra para repor o bom senso. Ou então, a Convenção do Chega em que até foi necessário chamar a GNR, tal era a frequência com que os delegados circulavam de um lado para o outro sem a obrigatória máscara. Sempre que o PCP se predispõe a mostrar que Portugal está vivo, uma parte desse Portugal insurge-se, exigindo que o PCP faça de morto.

Se o problema é a percepção que se cria por causa da Covid-19, então o que deveríamos valorizar é a capacidade dos comunistas portugueses levarem a vida para a frente com uma organização que diminui em muito o risco de contágio. Arrisco a dizer, aliás, que este fim-de-semana será muito mais perigoso fazer compras numa grande superfície que participar no congresso do PCP em Loures. Adiante! Por mais que se fale do receio de aparecer um surto saído daquele pavilhão de Loures, a quase totalidade dos portugueses sabe, porque viu como se fez a Festa do Avante, que dali não vem perigo nenhum. Já não há partidos que comam criancinhas ao pequeno almoço.

Há urgência em ouvir os dirigentes comunistas explicarem aos portugueses por que é que viabilizaram este Orçamento do Estado. De preferência, dando espaço de debate aos comunistas que são contra esta estratégia do comité central, para que digam de sua justiça.

O PCP está a fazer um favor à Democracia, demonstrando que ela funciona, permitindo que a actividade política aconteça cumprindo as regras sanitárias que se aplicam a todas a todas as actividades. Nos momentos difíceis não se recua. Faço votos que os comunistas portugueses tenham um bom congresso.

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