Desconfinamento educativo

O plano aprovado no Conselho de Ministros de 30 de abril define a estratégia e as medidas de desconfinamento no âmbito do combate à pandemia Covid-19. Relativamente à Educação, esta semana, o primeiro-ministro validará a abertura das escolas do ensino secundário para os alunos do 11.º e 12.º anos de escolaridade e do 2.º e 3.º anos dos Cursos de Dupla Certificação. As medidas, pensadas e ajustadas ao momento, afiguram-se sensatas, tendo sido escalpelizadas, merecendo os necessários esclarecimentos.

A articulação entre os ministérios da Educação e da Saúde e as escolas convocam a confiança das comunidades educativas, saindo ainda mais reforçada graças ao trabalho (invisível) que por estes dias é intensivo e rigoroso por parte das direções executivas, porque é reivindicada a reorganização escolar (horários de professores e turmas, alteração das regras de ocupação dos espaços...) e a efetivação das orientações da Direção-Geral da Saúde.

A partir da próxima 2.ª feira, as escolas cumprirão criteriosamente com a sua parte, de modo a assegurar, da melhor forma possível, a receção e estada dos alunos, professores e funcionários nos seus espaços, numa conjugação de esforços com a tutela, alicerçada no trabalho cooperativo inerente e imprescindível ao garante da segurança máxima para todos.

Fica claro que perante uma pandemia asseverar o risco zero é um dislate, mas assumamos com forte convicção que tudo está a ser feito na preparação do regresso à escola, que se deseja concretizado num ambiente o mais normalizado possível face à anormalidade do dia a dia, sendo o dever de todos dar cumprimento às regras (de higiene, de etiqueta, de segurança,...) aconselhadas.

É essencial olhar para o interior do país, onde a responsabilidade do transporte escolar pertence às autarquias. Pede-se-lhes um esforço acrescido, pois a sua colaboração é fulcral no que concerne às deslocações, que deverão ser efetuadas, no mínimo e atendendo às realidades, quatro vezes por dia - no início e fim de cada turno, evitando a permanência dos alunos sem aulas no espaço escolar e com acesso forçosamente restrito às áreas comuns.

Levantadas estas questões, não se pense que as escolas estiveram, ou estão, sem atividade. As aulas decorrem em bom ritmo à distância, o elevado profissionalismo dos professores revela-se, para o efeito, crucial e os nossos estabelecimentos de ensino vincam ainda mais a sua vertente social, numa importante abrangência tripartida: acolhem, alimentam e cuidam.

No início da situação excecional, cada Agrupamento sinalizou um estabelecimento de ensino para acolher os filhos e/ou outros dependentes a cargo dos profissionais de saúde, das forças e serviços de segurança e socorro, para além de outros identificados no diploma legal. Numa 1.ª fase percebeu-se a indispensabilidade deste apoio para aqueles que foram para a linha da frente, porém, e tendo em conta o evoluir da crise pandémica e a subsequente implementação do plano de desconfinamento, a lista dos profissionais foi engrossando, naturalmente, como expectável.

E o almoço não faltou aos alunos que beneficiam da ação social escolar, nem faltará a nenhum aluno, salientando a intervenção das autarquias, sobretudo ao nível do pré-escolar e 1.º Ciclo. Trata-se de uma atividade de extraordinária importância, cujos pais e encarregados de educação reconhecem, sendo previsível que, nos próximos tempos, a debilidade económica de muitas famílias obrigue a um reforço, a um complemento.

Algumas escolas, preocupadas com as suas famílias, perspetivando um cenário de futuro inquietante, encontram-se a dinamizar Bancos Alimentares, atribuindo, periodicamente, cabazes a quem deles mais necessita. Desta forma, respondem, voluntariamente com as dádivas entregues, acompanhadas de notável generosidade pelos elementos das comunidades escolares e da sociedade civil em geral, reunidos numa causa humanitária.

Devemos estar cientes da inexistência de risco zero, mas também convictos que nos preparámos para mitigar esse constrangimento, de modo a que o regresso à escola se faça com elevada tranquilidade e confiança. Todavia, não nos iludamos, a responsabilidade não é singular, é de todos!

Filinto Lima - professor; diretor; presidente da associação nacional de diretores de agrupamentos e escolas públicas

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