Dias de Abril

Quando Volodymyr Zelensky se dirigir esta quinta-feira aos portugueses, sem a incompreensível presença do PCP no Parlamento, fá-lo-á para falar do 25 de Abril que se vive na Ucrânia. Mas os contornos são dramaticamente diferentes. Para derrotar a proposta de servidão do Kremlin, o 25 de Abril ucraniano e a sua luta pela democracia faz-se e vai-se fazer com sangue. O nosso, felizmente, foi feito com cravos.

Se dúvidas restassem na sociedade portuguesa sobre a importância vital do significado do 25 de Abril, basta hoje olhar para a frente de 480 quilómetros de batalha no Donbass para se interiorizar que a nossa maior vitória foi a conquista da liberdade e a respetiva transição para a democracia realizada em paz, sem derramamento de sangue.

Nunca foi o dia do 25 de Abril que dividiu a sociedade portuguesa, mas sim a radicalização dos meses seguintes simbolizada pelo PREC. O dia 25 de Abril pôs fim à tirania e abriu a possibilidade de um novo horizonte para o futuro português.

Importa hoje, no entanto, olhar para os objetivos traçados pelo Movimento das Forças Armadas quando foi desenhada a operação daquele "dia inicial, inteiro e limpo". DDD. Democratizar, Descolonizar e Desenvolver.

Com as suas limitações, Portugal cumpriu o propósito de estabelecer uma democracia de tipo ocidental, com instituições autónomas e Imprensa livre. Apesar do processo doloroso, a descolonização foi feita. Portugal não tem hoje, nem deseja vir a ter, nenhuma colónia, mas teve, contudo, a capacidade de edificar em democracia uma comunidade internacional de pertença comum chamada CPLP.

Já o objetivo do desenvolvimento deve representar um debate e um desafio permanente dos atores políticos e da nossa sociedade civil. Não existem dúvidas de que hoje temos um país mais instruído, com melhores salários, com mais proteção na doença e na velhice. Somos uma Nação mais próspera, mais justa e infinitamente mais livre.

Mas a exigência obriga a que a comparação não se faça apenas com o que éramos antes de 1974. Portugal integrou a CEE em 1986, 12 anos depois de ter conquistado a sua liberdade. Não deve ser com um encolher de ombros que hoje assistimos ao país a ser ultrapassado em todos os indicadores de desenvolvimento por estados que só conheceram a luz da democracia e as vantagens da economia de mercado em 1991. Países que só neste milénio integraram a União Europeia e a moeda comum.

A verdade e a exigência indicam-nos que há um longo caminho a percorrer pelo nosso 25 de Abril do desenvolvimento. E esse é um desafio saudável e é saudável que a inquietação seja permanente.

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