As duas faces do Digital

Os benefícios do digital nas mais variadas dimensões da atividade humana, incluindo naturalmente na educação das crianças e dos jovens, são hoje tão evidentes que apontá-los se tornou um lugar-comum.

Mesmo sem nos darmos conta, os recursos digitais estão omnipresentes e vivemos numa constante dependência da Internet. Basta pensar que os telemóveis se transformaram em computadores sofisticados e potentes, que a todo o momento retiramos do bolso num gesto automático, para recolher informação, trabalhar, ouvir música, passar o tempo, fazer compras, pagar contas, pagar impostos, e, acima de tudo para comunicar com as pessoas que fazem parte da nossa rede de contactos. Quem se pode gabar de não ser invadido por um frenesim de ansiedade quando perde o telemóvel ou o esquece em casa, como se a própria vida dependesse daquele aparelho?

Antes da era digital, a nossa rede de contactos era constituída pelos nossos familiares, os nossos amigos, os nossos colegas de trabalho e a proximidade afetiva era diretamente proporcional à proximidade geográfica, exceptuando, claro está, no grupo de raros seres que mantinha o maravilhoso hábito da correspondência por carta. Agora tornou-se possível comunicar facilmente com pessoas que estão do outro lado do mundo e até desenvolver um relacionamento mais íntimo com pessoas desconhecidas, do que com pessoas que estão na nossa casa, ou do outro lado da rua. A possibilidade, a que milhões de pessoas aderem, envolve riscos consideráveis e os riscos tornam-se ainda mais inquietantes se tivermos em consideração que o caráter atrativo do digital torna as crianças e os jovens particularmente vulneráveis.

Alertar para os riscos da Internet e do digital é portanto uma necessidade e uma obrigação de quem tem responsabilidades educativas, tanto na família, como na escola ou em qualquer outra instituição que trabalhe com crianças e jovens.

Saúdo, por isso, a comemoração do Dia Internacional da Internet Segura, que visa envolvem países em todo o mundo e dar visibilidade à questão, bem como as entidades que em Portugal responsáveis pelo Projeto Internet Segura: FCT - Fundação para a Ciência e Tecnologia; DGE - Direção Geral da Educação do Ministério da Educação; Fundação para a Computação Científica Nacional - FCCN; IPDJ - Instituto Português do Desporto e Juventude; Microsoft Portugal.

Este tipo de preocupações levou-me, a mim e à Ana Maria Magalhães, a aceitar o desafio da Associação Portuguesa de Seguradores para escrevermos o livro de ficção que veio a receber o título Armadilha Digital, para o qual recebemos o importante apoio do Dr. Carlos Cabreira, diretor da Polícia Judiciária: Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime e à Criminalidade Tecnológica e da equipa de investigadores do Centro de Tecnologias Interativas da Universidade Nova de Lisboa (CITI).

Esta equipa colaborou ainda na iniciativa, realizando vídeos em desenho animado, destinados a chamar a atenção dos jovens para quatro temas relevantes: Furto de identidade; Clonagem de cartões bancários; Phishing; E-mail scam.

O livro é oferecido gratuitamente às escolas ou a quem o pedir e tanto o PDF do livro como os vídeos podem ser acedidos a partir do site da APS.

Isabel Alçada é professora, escritora e antiga ministra da Educação

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