A Opinião

Eleições em 2019, vamos estar atentos?

"A Opinião" de Pedro Pita Barros, na Manhã TSF.

Como é sabido, 2019 será ano de eleições legislativas. E, em ano de eleições, irá falar-se de economia, de despesa e dívida pública, e de défice do Estado.

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Tal como sucedeu há quatro anos, é possível e desejável que surjam documentos e propostas, e que apresentem ideias para a gestão macroeconómica nos próximos anos. Em particular, interessa que durante este ano seja tornado claro como é que os programas políticos se irão preocupar com os problemas da falta de crescimento da produtividade.

É certo que a economia portuguesa tem crescido nos últimos quatro anos, mas o seu potencial tem crescido menos que o conjunto da União Europeia.

Esta evolução cria alguma preocupação para os próximos anos. E essa preocupação é reforçada quando olhamos para o que sucede com o valor do PIB gerado por hora trabalhada - tem vindo a descer nos últimos cinco anos, em média. Significa que, em termos da economia como um todo, o aumento de emprego que tem surgido nas estatísticas está a ser com menor produtividade do que antes.

Se é verdade que o turismo tem crescido, se é verdade que Portugal está na moda, e que há novas empresas a abrir, estes valores dizem-nos que ainda não atingimos uma situação em que esse crescimento do emprego se faz com maior produtividade por hora trabalhada.

E sem crescimento da produtividade, não haverá possibilidade a prazo de ter maiores salários e maior nível de vida.

Não é um problema novo, e, ao longo do tempo, pelo menos dois grupos de ideias têm surgido, e completam-se um ao outro. Por um lado, a ideia de um funcionamento do mercado de trabalho que ajude a essa maior produtividade. Isto significa ter formas de fazer com que as relações trabalhador/empresa mais produtivas possam aparecer, e ter formas de fazer com que ambos os lados queiram investir em ter relações laborais mais produtivas, o que não sucede com contratos temporários, com trabalhadores sempre a rodar entre empresas.

Em segundo lugar, a ideia de deixar a iniciativa empresarial procurar as áreas novas onde se possa ter esse salto de produtividade (pode ser em novos setores tecnológicos, ou pode ser em aplicação de novas tecnologias em setores tradicionais).

O ano de 2019 será ano de eleições, e um dos critérios para julgar os programas partidários será ver em que medida reconhecem esta necessidade de ter maior produtividade, e como se consegue lá chegar. O tema do crescimento da produtividade não é "socialmente fraturante" nem é "inspirador" para a maioria das pessoas. Mas é necessário pensar nele para conseguir melhorar as condições de vida em Portugal de forma duradoura.

Quer saber se um partido tem realmente intenção de melhorar as condições de vida em Portugal? Então, quando surgirem os programas dos partidos para as eleições legislativas, olhe para a forma como pensam - se é que pensam - na produtividade, ou veja como o que propõem a afeta. Assim terá a resposta à pergunta.

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