A Opinião

O que as PME, mesmo de serviços digitais, precisam: ganhar dimensão

"A Opinião" de Pedro Pita Barros, na Manhã TSF.

Em semana da Web Summit em Lisboa, vai-se falar muito do futuro dos serviços digitais e do seu potencial para fazer a economia portuguesa crescer, e ter melhores salários. Mas não nos podemos esquecer do Brexit, da guerra comercial dos Estados Unidos com China e que possivelmente poderá alargar-se à Europa, e até da subida da taxa de juro. Todos estes são problemas externos que podem vir a afetar a economia portuguesa e as exportações, no curto prazo, e com isso prejudicar o crescimento económico de Portugal. É verdade que existem sistemas de apoio às exportações, aposta na I&D e na ligação às universidades. Ora, há aqui uma dificuldade básica a ter em conta. Qual é a dimensão mínima das pequenas e médias empresas para conseguirem fazer bem ambas as coisas, internacionalizarem-se e saber como aproveitar as potencialidades de I&D?

As políticas públicas ficam com um dilema entre mãos: apoiar as empresas muito pequenas, de indústria ou serviços e ao mesmo tempo internacionalizar com base em inovação, pode simplesmente não ser possível, mesmo quando se está a falar de serviços digitais. É por isso importante que a intervenção pública que seja criada também permita às empresas ganhar dimensão. Dimensão para estarem presentes nos mercados internacionais, por um lado, mas também para se conseguirem envolver em atividades de investigação e desenvolvimento de novos produtos ou processos produtivos, por outro lado, e saber como e o que aproveitar dessa inovação própria ou em parceria com outras entidades, como as universidades. Ganhar dimensão significa que algumas empresas vão desaparecer, seja por fusão, seja por aquisição ou simplesmente por não sobreviverem. O processo de passar de micro para pequena e de pequena para média empresa também tem que estar presente no funcionamento da economia e as políticas públicas deverão ajudar a essa evolução natural, mesmo que isso signifique que algumas empresas, mais pequenas, irão desaparecer. As políticas públicas devem favorecer o nascimento, o crescimento e o desaparecimento de empresas como sendo elementos naturais da economia, e não devem ser fatores de proteção das empresas que existem hoje.

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