Não temos de aturar tudo a Ventura e ao Chega

O líder do Chega, partido xenófobo e racista, é tolerado num país de brandos costumes, mas convém que não deixemos nunca de nos indignar com os ataques que faz às minorias étnicas. No momento em que deixarmos de nos incomodar, estaremos mais perto de ser controlados pela intolerância racista que carrega a história da Humanidade com episódios de violência e morte.

De igual modo, a Direita mais americanizada e os seus comentadores também deveriam perceber que nunca há um problema com uma determinada comunidade, quando elementos dessa comunidade se comportam à margem da lei. Nós todos é que temos um problema, quando cidadãos do nosso país cometem crimes e as forças de segurança não se mostram capazes de os impedir, nem as autoridades judiciais de os punir.

O problema são os ciganos? Que crime cometeu Quaresma, o cigano que joga futebol? E Carlos Miguel, o cigano que é secretário de estado? E Vanessa Lopes, a cigana que está a tirar um curso no Ensino Superior? Poderia continuar horas a dizer o nome de ciganos que não cometeram nenhum crime em toda a sua vida, nem vivem do RSI, e que são insultados por André Ventura e pelos comentadores que, no Observador, alinham nas generalizações de que há um problema com a comunidade cigana. Há um problema com a justiça portuguesa que não se faz e há um problema com políticos e comentadores que estigmatizam toda uma comunidade por causa do comportamento de alguns. E pouco importa que sejam mais ou menos, porque nunca será acertado fazer pagar o justo pelo pecador.

Seria de rir se não fosse trágico, o comportamento de Ventura, com instintos primários. Esta semana viu uma fotografia de um cigano com um Ferrari, marca que ele julga ser exclusiva para lusitanos, e apressou-se a insinuar que a máquina era paga pelos contribuintes portugueses, fazendo ainda uma alusão a Reguengos e a um episódio em que um cigano cometeu vários crimes, entre os quais um atropelamento seguido de fuga. Depois meteu a viola no saco e fez de conta que não tinha dito o que disse, quando se soube que o dono do Ferrari era um empresário que dava emprego a dezenas de pessoas de várias nacionalidades.

Portugal precisa de paz, de boa vontade, precisa do trabalho de todos. Dispensa bem a energia dos que procuram dividir para reinar, dos intolerantes, dos que estão sempre a acusar as minorias de serem responsáveis pelo que a imensa maioria não é capaz de fazer. O país que somos é da responsabilidade de todos. Na diferença, todos somos iguais perante a lei e convém não esquecer que o racismo é crime.

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