Novo Banco: Centeno Manda, Costa não sabe, o Estado paga

Daniel Oliveira olha para a injeção de 850 milhões de euros no Novo Banco antes de existirem resultados da auditoria em curso como um "triste episódio" que lhe permitem tirar conclusões.

A primeira conclusão de Daniel Oliveira no espaço de opinião que ocupa às terça-feira na antena da TSF é que "Mário Centeno está em autogestão e sente-se tão à vontade que desautoriza, sem qualquer problema, compromissos públicos do primeiro-ministro", referindo-se ao facto de António Costa ter afirmado (e reafirmado) que não seria injetado dinheiro no Novo Banco antes do resultado da auditoria, sendo que tal não se verificou.

"A primeira vez que foi confrontado foi pelo PAN e reafirmou que só depois da auditoria haveria injeção de dinheiro e a segunda vez, quinze dias depois, foi pelo Bloco de Esquerda e repetiu: só depois da auditoria, o dinheiro entraria no Novo Banco. Dias depois, António Costa pediu desculpas ao Bloco de Esquerda. Afinal, o dinheiro entrou, foi injetado sem resultado da auditoria exatamente entre os dois debates quinzenais, ou seja, o ministro das Finanças fez esta transferência dias depois do compromisso público de António Costa de que tal não aconteceria", explica.

A segunda conclusão do comentador é que "o primeiro-ministro não faz a mais pálida ideia do que acontece e do que está a acontecer com o Novo Banco e das relações do Estado com o Novo Banco".

Por fim, Daniel Oliveira conclui que " o país pode desaparecer, pode afundar-se, mas os compromissos com a banca são invioláveis, incluindo o compromisso de aumentar salários em bancos que estão a afundar-se".

Daniel Oliveira lembra que "apesar de o banco acumular prejuízos, houve aumentos nos salários dos gestores, a administração executiva recebeu no ano passado 2,3 milhões de euros e cinco pessoas do conselho de supervisão receberam só eles 857 mil euros".

O comentador considera que Portugal está, desde 2014, refém "de uma resolução do BES em que foi cobaia de uma forma de resolução que nunca mais foi utilizada em mais lado nenhum e que nos deixou na mão um banco bom que nunca foi bom".

"O que aconteceu foi que o banco não foi na realidade vendido à Lone Star, foi oferecido à Lone Star com garantias, ou seja, a solução do Pedro Passos Coelho imposta pela União Europeia e a venda de António Costa imposta por essa solução tinha tudo para correr mal", defende.

Texto de Sara Beatriz Monteiro

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