O abraço ao porco

Perante a evidência de que o Chega não é um partido em que se possa confiar, perante a evidência de que o seu líder é xenófobo e racista, a resposta que um partido democrático tem de dar deve ser de inequívoco distanciamento e clara condenação. Não há mas, nem meio mas, com um político que manda deputados negros para a terra deles ou nos propõe planos de confinamento específicos para ciganos.

André Ventura não poderá nunca ser moderado. Ele tem valor eleitoral exatamente porque divide apelando ao medo, à divergência, à intolerância. Ventura aproveita-se da ignorância e da mentira. Não está sequer a inventar a roda, está a copiar uma estratégia testada pela extrema-direita em várias partes do mundo. Assim sendo, torna-se incompreensível que Rui Rio insista em trazer para o lado democrático um político como Ventura. De boas intenções está o inferno cheio.

Percebe-se, com o crescimento eleitoral do Chega, a alternativa maioritária de direita pode só ser conseguida com os deputados deste partido de extrema-direita. Acontece que esta normalização dos extremistas, admitindo, ainda que com muitos "ses", um diálogo com Ventura, ajuda ao seu crescimento eleitoral. O PSD de Rui está obrigado a fazer agora o que o CDS de Assunção Cristas fez nas autárquicas em que o candidato do PSD a Loures se revelou racista e antidemocrático. Não há espaço para qualquer tipo de conversa.

Quando Rio diz que com este Chega não é possível alianças, mas admite que no futuro se possa falar se Ventura se tornar moderado, arrisca-se a receber a resposta que recebeu. O Chega também só conversa com Rio se o PSD deixar de ser a dama de honor do Partido Socialista. Bernard Shaw dizia que não se deve lutar com um porco. Numa versão adaptada, podemos dizer que não se deve abraçar um porco. Primeiro porque ficamos sujos e depois porque o porco gosta.

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