O PS a tentar evitar o erro de Sócrates

No dia em que o Partido Socialista aprova na generalidade o primeiro orçamento da maioria absoluta, os portugueses sabem duas coisas: a primeira é que já perderam poder de compra e a segunda é que ainda vão perder mais poder de compra.

A culpa é da inflação e António Costa lembra que os orçamentos não decretam a inflação, o que é inteiramente verdade. É tão verdade isso como o que o primeiro-ministro diz logo a seguir: "os orçamentos aumentam ou diminuem os rendimentos das famílias, combatem ou aceleram a inflação".

Com o sério risco de estar a confundir o desejo com a realidade, os socialistas insistem que a inflação é uma coisa temporária, pelo que a perda de poder de compra, que é uma forma de empobrecimento, também será temporária. Acontece que o Banco Mundial veio dizer a meio da semana que os preços altos na alimentação e na energia se vão manter até 2024, durante três anos, portanto. Demasiado tempo para tão significativa perda de poder de compra.

Imaginando que a inflação baixa significativamente no próximo ano, o que já ninguém pode garantir com a guerra que está em curso na Ucrânia, isso não significa que a recuperação do poder de compra se vai fazer pela baixa dos preços. O mais que conseguiríamos é que à perda de poder de compra de 2022 não se somaria mais perda de poder de compra em 2023, mas o nosso dinheiro continuará a valer menos do que valia em 2021. A única forma de o fazer regressar os nossos rendimentos ao valor que tinham o ano passado, ou seja poder com o nosso ordenado comprar as mesmas coisas que comprávamos o ano passado, só é possível com atualizações salariais em linha com a inflação.

Não vai acontecer, porque o governo entende que pode existir o risco de uma espiral inflacionista e porque ministro das Finanças prevenido não dá agora o que sabe que pode ter de tirar mais à frente. Lembram-se no que deram os aumentos de 2,9% do governo socialista de José Sócrates em 2009? Cortes progressivos em 2011, que iam dos 3,5% aos 10%. A mim até me parece muito bem que o governo se comporte cm responsabilidade, só lhe falta coragem política para assumir que é isto que está em causa. Mais vale um pássaro na mão que dois a voar.

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