Os rankings das escolas mentem

Daniel Oliveira considera que os rankings das escolas "têm critérios enganadores para servir uma agenda ideológica e empresarial".

Na semana em que os jornais divulgaram as já habituais listas anuais que ordenam todas as escolas país com base nas notas obtidas nos exames nacionais, pelos seus alunos, o comentador lembra que não se tratam de listas oficiais do Governo.

As notas dos exames não chegam para avaliar o trabalho de uma escola, aponta Daniel Oliveira. "Os rankings mentem, porque escondendo as diferenças socioculturais dos alunos comparam o incomparável, premiando quem já têm quase todo o trabalho feito e muitas vezes até é menos exigente", além de prejudicar escolas do interior e de zonas urbanas "mais difíceis".

"Para medir a qualidade das escolas, teríamos de fazer o que faz o ministério da Educação no seu ranking de equidade, que comparara os resultados em exames nacionais dos alunos com apoio social escolar com a média nacional." E mesmo esse ranking tem de ser analisado com cautela, ressalva.

"A escola melhor é a que não desiste dos alunos sem biblioteca em casa, sem pais licenciados, que vivem em contextos difíceis e conseguem resultados que podem fazer toda a diferença na sua vida", defende o Daniel Oliveira.

Não é por acaso que as escolas privadas não fornecem dados para este ranking de equidade, nota o comentador. Se o fizessem, "ficaria claro que enquanto uns fazem omeletes sem ovos, outros fazem bolos com a dispensa cheia."

Para Daniel Oliveira, os rankings das escolas, criados originalmente pelo Jornal Público e há vários anos replicados por vários jornais, servem apenas para "promover os colégios privados e transpor para o sistema de ensino a lógica do e mercado".

O efeito desta "propaganda enganadora" aos privados é contribuir para retirar alguma classe média da escola pública e acentuar ainda mais a desigualdade de oportunidades, condena.

Texto: Carolina Rico

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