Quem criou a TSF salvará a TSF

"Foram jornalistas e técnicos que inovaram a rádio, não foram gestores a pensar num novo modelo de negócio." E serão estas mesmas pessoas a "salvar" a TSF perante as adversidades do setor, agravadas pela pandemia de Covid-19, considera Daniel Oliveira.

O jornalista recorda o seu início de carreira na comunicação social, com 16 ou 17 anos, enquanto colaborador amador na rádio pirata. A TSF era, então, a principal referência: antes da internet, dos canais de notícias e sites de informação, criou o conceito de "notícias ao minuto" e "mudou o jornalismo português".

"A TSF não foi criada por empresários de comunicação social, nasceu como cooperativa. Não foi fundada por aqueles que adoram dizer que criam empregos, foi criada por jornalistas e técnicos. Por Adelino Gomes, David Borges, Emídio Rangel, Fernando Alves, João Duarte Soares, Jaime Fernandes, Joaquim Furtado, e muitos outros", destaca.

"É a Manuel Acácio que os ouvintes do Fórum agradecem por lhes dar a voz, é a voz de Fernando Alves que nos faz sentir em casa", lembra o comentador. "É com Nuno Domingues que falo todas as terças-feiras, não é com nenhum administrador."

Devido à pandemia de Covid-19, a "economia está a passar por um momento trágico", com consequências cuja verdadeira dimensão só será conhecida nos próximos meses. "Pode ser a maior crise dos últimos cem anos", nota o jornalista.

Por esse motivo, Daniel Oliveira considera o recurso ao lay off "compreensível e legítimo para salvar empregos" em empresas paralisadas pela crise, com os trabalhadores obrigados a ficar em casa. No entanto, há também empresas "que o estão a usar abusivamente", alerta. E, com a Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) a funcionar em teletrabalho, "ninguém controla".

Na comunicação social "há mais trabalho do que nunca", tal como ouvintes, leitores e espetadores, mas, devido a "quedas nunca vistas de publicidade", tal não se traduz em receitas.

"Apesar de o Governo ter aprovado uma versão muito simplificada do lay off, que exige muito pouco dos empregadores, nem o quase nada que é exigido foi cumprido pela administração da Global Media Group", condena Daniel Oliveira. "Nem se deram ao trabalho de ouvir os sindicatos, como manda a lei."

A crítica do comentador estende-se à forma como a administração está a lidar com a crise em vários órgãos do grupo: TSF, Jornal de Notícias e Diários de Notícias. "Não foi a Covid-19 que pôs três dos mais importantes órgãos da comunicação social portuguesa na situação em que estão", até porque no passado estes "resistiram a tudo, sempre graças aos que aí trabalham".

"Todos assistimos à forma absurda como foi preparada a mudança radical do Diário de Notícias, todos temos acompanhado o confronto entre acionistas no meio de uma crise no setor. O vírus só veio piorar o que alguém já tinha posto muito mal", ressalva. "Serão os jornalistas e técnicos - muitos em casa com salários cortados em 25%, no caso da TSF, e até 50% no caso do DN - que os voltarão a salvar", em nome dos leitores e ouvintes.

"Nesta equação, só mesmo nós - que os lemos e que os ouvimos - e eles - que nos escrevem e nos falam - interessam", destaca Daniel Oliveira. "Os outros não fizeram nada pela extraordinária história da TSF, do Diário de Notícias e do Jornal de Notícias."

Texto: Carolina Rico

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de