Quem não tem ministro, fica com Magina

Daniel Oliveira afirma que o diretor nacional da Polícia de Segurança Pública (PSP), Magina da Silva, desrespeitou as regras hierárquicas e substituiu-se ao ministro da Administração Interna porque todos sentem que o ministro está politicamente morto. No espaço de opinião que ocupa semanalmente na TSF, o jornalista afirmou que a consequência de manter Eduardo Cabrita à frente do Ministério foi, na prática, deixar de existir uma autoridade.

"É evidente que o ministro Eduardo Cabrita está irremediavelmente fragilizado e o preço da insistência de António Costa em segurar o ministro da Administração Interna é não termos ministro da Administração Interna", atira Daniel Oliveira.

O comentador considera que ao ir ao Palácio de Belém, para apresentar ao Presidente da República - quando é o Governo o órgão de soberania que tutela o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) - uma proposta de fusão do SEF - que não está na alçada de Magina da Silva - com a PSP, o diretor nacional da polícia conseguiu um "bingo" de "desrespeito pelas regras hierárquicas".

A situação é especialmente grave, na opinião de Daniel Oliveira, por esta não se tratar apenas de uma proposta orgânica, mas, sim, de uma proposta política. Propor que a PSP seja responsável pelo SEF é "assumir que a imigração é uma questão de polícia", nota o jornalista.

"Tratar a imigração como assunto de polícia é tratar o imigrante como suspeito, como um risco para a nossa segurança. E a esmagadora maioria dos imigrantes não o são", defende Daniel Oliveira.

O comentador considera que "não há razão nenhuma para a regularização dos imigrantes não acontecer nas conservatórias do registo civil" nem para que o acolhimento de migrantes não seja trabalho "para a Secretaria de Estado para a Integração e as Migrações". Para Daniel Oliveira, a polícia "não está nem tem de estar preparada" para estas funções e a proposta feita por Magina da Silva vem materializar o ditado de que "é pior a emenda que o soneto".

O jornalista afirma que, ao ir a Belém defender uma linha política, Magina da Silva - que não foi eleito - saltou uma hierarquia. Mas este só o fez porque "sente que não há hierarquia".

"Foi um golpe", comenta Daniel Oliveira. "Todo o país sente a léguas a fragilidade do ministro."

E, numa altura em que, lembra, as forças de segurança são alvo de "infiltrações de forças antidemocráticas", é "péssimo" ter um ministro que não tem autoridade.

"É importante que haja um agente político para este debate, mas não pode ser alguém politicamente morto", concluiu.

Texto: Rita Carvalho Pereira

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