"A Queda de um Anjo": a obra de Camilo Castelo Branco que antecipava "país político em crise e sequestrado pela contradição"

Pedro Granadeiro/Global Imagens (arquivo)
À TSF, Jorge Sobrado considera que "Camilo talvez se divertisse, risse e chorasse, mas não deixaria de reconhecer que a sua obra mantém uma enorme atualidade na sociedade portuguesa e também na esfera política portuguesa"
Assinala-se, este domingo, o bicentenário do nascimento de Camilo Castelo Branco. Um dos nomes mais importantes da literatura portuguesa nasceu em Lisboa a 16 de março de 1825, mas foi a Norte que viveu os momentos mais marcantes de toda a vida. “A Queda de um Anjo” foi uma das suas obras de sucesso que, apesar de publicada há anos, continua bastante atual na sociedade portuguesa.
Em declarações à TSF, Jorge Sobrado, vice-presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Norte para a área da Cultura, nota que “o livro retrata um país político em crise, em decadência moral e um país político que sequestrado pela contradição”.
“Portanto, ‘A Queda de um Anjo’ é um livro muito atual e que mostra como, por exemplo, a moral e a ética se transformam num alçapão e numa armadilha do discurso político”, acrescenta.
Camilo talvez se divertisse, talvez risse e chorasse, mas não deixaria de reconhecer que a sua obra mantém uma enorme atualidade na sociedade portuguesa e também na esfera política portuguesa.
Camilo Castelo Branco nasceu em 16 de março de 1825 na Rua da Rosa, em Lisboa, e perdeu a mãe aos dois anos e o pai aos dez, tendo ido viver com uma tia para Vila Real. Ao longo da extensa carreira jornalística e literária, assinou obras que viriam a ser livros maiores da literatura em português, de "Amor de Perdição" a "Doze Casamentos Felizes", entre muitos outros.
Homem de vários interesses, profissionais e amorosos, é preso na Cadeia da Relação do Porto, a par de Ana Plácido, acusados de adultério, dada a existência do casamento de Plácido com o comerciante Manuel Pinheiro Alves. Ambos foram absolvidos.
Um dos dois "gigantes" literários do século XIX português, a par de Eça de Queirós, na opinião de Sérgio Guimarães de Sousa, Camilo Castelo Branco, já cego devido à sífilis de que padecia, suicidou-se em1 de junho de 1890.