
Nuno Pinto Fernandes/Global Imagens
As diferenças ideológicas entre os partidos que suportam o governo são claras e até há exemplos recentes. Nada que impeça, defende o PM, que a aliança se esteja a revelar uma "boa solução".
Nesta segunda parte da entrevista ao jornal Público, António Costa assume que não se identifica com a declaração de Mariana Mortágua quando a deputada bloquista afirmou que "é preciso perder a vergonha e ir buscar a quem está a acumular dinheiro".
Diz o primeiro-ministro que "esta nem é a linguagem do PS", embora reconheça que destas palavras sobressai uma "preocupação comum": "é necessário uma maior justiça fiscal".
O exemplo serve para demonstrar que há, para além das diferenças de estilo, diferenças ideológicas, mas "a chave desta solução governativa não está em qualquer dos quatro partidos ter eliminado a identidade ideológica que o caracteriza e diferencia dos restantes. Aquilo que permitiu, aquilo que permite e dá força a esta solução governativa é o pragmatismo".
As questões ideológicas voltam a ser invocadas a propósito do veto do Presidente da República ao fim do sigilo bancário para as contas acima dos 50 mil euros. O primeiro-ministro diz que não sabe ainda o que vai fazer na sequência da decisão de Marcelo Rebelo de Sousa, mas garante que "não há aqui uma batalha ideológica".
De resto, António Costa justifica o diploma do governo com a transposição de um diretiva comunitária e um acordo firmado pelo anterior governo com os EUA com o objetivo de tornar mais transparentes "as transações financeiras a nível mundial". Conclui o chefe do executivo "que não havia nenhuma razão para que a mesma regra não fosse aplicada também aos residentes".
Sobre a polémica em torno da criação de uma sobretaxa de IMI, António Costa diz nesta entrevista que uma proposta para alterar as regras de tributação do património irá mesmo constar desta proposta de orçamento do estado.
Em que moldes? O primeiro-ministro não desvenda, assegura no entanto, que irá contribuir para termos "uma maior justiça fiscal" sem "comprometer o investimento" ou "a dinamização do mercado de arrendamento". "Tenho plena confiança em todos os membros". A afirmação serve para descartar a necessidade de qualquer remodelação governamental.
E nem o caso dos secretários de estado que foram ver jogos do mundial a convite e a expensas da Galp justifica qualquer mudança. Diz o primeiro-ministro "não há nenhuma razão para qualquer remodelação". António costa sublinha que os três governantes acabaram por pagar "o valor da viagem" e que "se houve erro, foi devidamente reparado".