"Dormiria mal se traísse" quem quer votar em si: António Filipe diz que a sua candidatura "é para levar até ao fim"

As eleições presidenciais estão marcadas para 18 de janeiro de 2026
Ricardo Castelo/Lusa
"Muito mal vai uma candidatura se só lá vai se os outros desistirem", sustenta
O candidato presidencial António Filipe afirmou este domingo que a sua candidatura "é para levar até ao fim" classificando-a como diferenciadora, identificada com os trabalhadores e com os seus direitos.
"A minha candidatura não é para desistir, a minha candidatura diferencia-se dos demais e, portanto, é uma candidatura que só pode ser para levar até ao fim. Disse isso desde o primeiro dia, e não sou daqueles políticos que dizem uma coisa hoje e amanhã dizem outra", disse.
António Filipe, que falava este domingo no início de uma visita à aldeia Natal do Seixal, um concelho do distrito de Setúbal liderado pelo comunista Paulo Silva, frisou que a sua candidatura está identificada com os trabalhadores e com os seus direitos, com os valores de Abril e com a Constituição Portuguesa e "no que ela tem de mais importante" nomeadamente "os direitos de natureza política, económica, social e cultural".
"Existe uma grande insatisfação dos portugueses relativamente às políticas públicas que têm sido seguidas nos últimos anos", frisou o candidato adiantando que "dormiria mal se traísse aqueles que querem votar" em si, numa alusão a uma frase de António José Seguro no debate televisivo realizado no sábado.
O candidato apoiado pelo PCP disse ainda que não faria sentido avançar para uma candidatura e depois desistir, não cumprindo o seu compromisso assumido desde o primeiro dia de que iria a votos e lutaria pelo resultado.
"Muito mal vai uma candidatura se só lá vai se os outros desistirem", sustentou.
Questionado sobre a divulgação dos apoios às campanhas presidenciais, António Filipe disse que a transparência das contas das candidaturas são uma evidência.
"Isso é uma evidência, as campanhas eleitorais são escrutinadas. Existe, aliás, uma entidade própria, que funciona junto do Tribunal Constitucional, e, portanto, obviamente, que os doadores às campanhas eleitorais devem constar nas contas apresentadas", disse.
No sábado, a candidata presidencial Catarina Martins considerou importante que exista transparência sobre quem financia as campanhas eleitorais, além da questão dos rendimentos dos candidatos.
Também no sábado, o candidato presidencial e líder do Chega, André Ventura, afirmou que vai tornar pública a lista de donativos para a sua campanha através de um site, e desafiou os seus adversários a fazer o mesmo.
Ainda sobre esta questão, António Filipe disse que "obviamente que isso é público".
"Se alguém tem alguma coisa a recear, não sou eu, certamente. Acho que deve haver transparência e as regras devem ser iguais para todos e, portanto, cada um falará por si", sustentou.
As eleições presidenciais estão marcadas para 18 de janeiro de 2026.
Esta é a 12.ª vez (incluindo as duas voltas das eleições de 1986) que os portugueses são chamados, desde 1976, a escolher o Presidente da República em democracia.
