António Filipe na defesa de um "novo rumo" quer "dar corpo" a "sobressalto democrático"

Créditos: Paulo Novais/Lusa
Num comício em Vila Nova de Gaia, o candidato apoiado pelo PCP pede votos por convicção e não por. Ataques à direita e a António José Seguro e a defesa da Constituição marcam o discurso. O comício juntou, pela primeira vez desde o início da campanha, António Filipe e Paulo Raimundo
O candidato presidencial António Filipe renova as críticas ao voto útil e afirma que o estado a que o país chegou exige um "sobressalto democrático". Defendendo um "novo rumo", o nome apoiado pelo PCP discursou num comício em Vila Nova de Gaia, na Herança Magna, que contou com centenas de apoiantes e, pela primeira vez, com o secretário-geral comunista.
"É a candidatura que sabe que o estado a que o país chegou exige um sobressalto democrático e que pretende dar corpo, dar voz e dar expressão eleitoral a esse sobressalto", declara.
O comício em Vila Nova de Gaia, que foi, até agora, a maior ação de campanha do comunista, juntou, segundo a organização, cerca de 800 apoiantes no espaço Herança Magna.
"A minha candidatura é a que exige um novo rumo para o país, com a valorização dos salários de quem trabalha e o aumento das reformas e pensões de quem trabalhou uma vida inteira e merece viver dignamente os seus últimos anos de vida, com a valorização dos serviços públicos e das carreiras de funções públicas e sociais, com o reforço do Serviço Nacional de Saúde", salienta.
Para reforçar que a sua é também a "candidatura que exige um novo rumo para o país, em que a política da habitação não seja refém dos interesses mobiliários, em que não faltem professores nas escolas, em que os jovens tenham acesso aos graus mais elevados de ensino e não tenham de emigrar para ter salários decentes".
E reforça as críticas àqueles que ponderam recorrer ao voto util, ainda que se rejevam noutras candidaturas: "Algum eleitor, tendo a possibilidade de votar no candidato com que mais se identifica politicamente, prefere, apesar disso, votar num candidato com que nem sequer se identifique, só porque tem medo que ainda ganhe um candidato que ainda seja pior, esse eleitor já está derrotado antes de votar, e está a abdicar do seu próprio direito de voto", argumenta.
O candidato a Belém pede ainda aos portugueses que não tenham medo de serem livres. "O eleitor que deixa de votar por convicção, porque está condicionado pelo medo, está a abdicar da sua própria liberdade e, quando o medo sobrepõe à liberdade, não somos verdadeiramente livres. Não tenhamos medo de ser livres. A nossa liberdade foi conquistada por aqueles que não tiveram medo de lutar por ela", sublinha.
E, por falar em votar, mas sem mencionar o nome de António José Seguro, o antigo deputado diz que "não se combate a direita votando em alguém que nunca a combateu".
"Não só nunca se manifestou contra as políticas da troika, como se opôs ao esforço de convergência que foi feito entre 2015 e 2019 para que as medidas mais visíveis do tempo da troika fossem revertidas", ataca.
António Filipe volta a criticar os candidatos à direita por terem mudado de opinião, depois da greve geral, em relação ao pacote laboral, uma medida que considera ser "a maior ameaça" à democracia portuguesa.
"Alguns candidatos tinham manifestado o seu apoio entusiástico ao pacote laboral. Começaram, como diz o povo, a virar o 'bico ao prego' e a adaptar o discurso perante a resposta dada dos trabalhadores. Mas não nos enganemos, mudaram discurso, mas não mudaram de opinião. Os candidatos do consenso neoliberal fogem deste tema como o diabo foge da cruz", afirma.
Mas, o candidato à Presidência da Republica apoiado pelo PCP e pelo PEV defende igualmente um novo rumo na justiça e na distribuição de riqueza, na defesa da produção nacional e, entre outros, na "rejeição da submissão externa à União Europeia e à Nato, com a recusa da guerra e da corrida aos armamentos e a defesa da paz e da cooperação".
"Num mundo perigoso e inquietante em que vivemos, temos de ter a coragem de lutar para a paz e de enfrentar os ventos de guerra com que nos querem fustigar. A defesa da paz não é um discurso de 'miss mundo', é uma luta pela sobrevivência da humanidade", defendeu.
António Filipe volta a criticar os candidatos a que tem chamado do "consenso neoliberal" e que são, na sua opinião, "os que estão juntos na defesa das privatizações e na entrega de empresas estratégicas nas mãos do capital estrangeiro". E exemplifica com a privatização da ANA Aeroportos, com os CTT, a EDP, a REN ou a GALP.
"Foram os candidatos do consenso neoliberal, a que entretanto se juntaram os da extrema-direita, a liberal e a populista, que pactuaram com a corrupção que envolveu estas privatizações e que se alimenta da promiscuidade entre o poder económico e o exercício de poderes públicos, e que agora vêm saudar a legalização do tráfico de influências por via da legalização do "lobbying" que apresentam, hipocritamente, como se fosse uma fantástica medida de combate à corrupção", dispara.
Paulo Raimundo discursou antes do candidato a Belém. O secretário-geral do PCP agradece a António Filipe por ser o rosto da esperança. "Obrigado por trazeres à campanha eleitoral a realidade da vida da maioria, mas também por seres o rosto da esperança, o rosto do projeto de mudança que se impõe e que a tua candidatura transporta todos os dias a ganhar cada vez mais força, mais determinação para o futuro", declara com convicção.
O líder do partido comunista defende ainda que António Filipe é o candidato que dá rosto a vários artigos da Constituição: "É o candidato do artigo 64, do direito à saúde do Serviço Nacional de Saúde. É o candidato do artigo 65, do direito a uma habitação digna para todos e para cada um. É também o candidato do artigo 7º, o artigo da paz, o artigo da cooperação e da solidariedade entre todos os povos do mundo."
"Cumprir e fazer cumprir a Constituição e o seu artigo 7º exige a coragem, essa coragem que só o António Filipe tem", afirma Paulo Raimundo.
António Filipe e Paulo Raimundo voltam a encontrar-se no domingo num comício em Lisboa.
