
Catarina Martins
Créditos: Estela Silva/Lusa
A candidata a Belém apoiada pelo Bloco de Esquerda defende que Portugal precisa de uma Presidente da República interventiva e exigente com o Governo, e que, no contexto internacional, "Portugal não é um súbdito e não tem de ficar calado". Catarina Martins critica ainda a ministra do Trabalho, que considera afastada da realidade dos trabalhadores.
Catarina Martins defende que Portugal precisa de uma "Presidente da República que seja interventiva". A candidata a Belém reage assim às declarações de Marcelo Rebelo Sousa, que, esta sexta-feira, considerou que o próximo Presidente da República terá um cargo mais exigente devido ao cenário global. Perante estas palavras, Catarina Martins escolhe olhar para Portugal.
"Eu acho mesmo que nós precisamos de uma Presidente da República que seja interventiva, por isso é que tenho dito que candidatos que são apoiados pelo primeiro-ministro ou que querem muito o apoio do primeiro-ministro, ou que querem pelo menos que o primeiro-ministro lhes dê uma palavra de conforto não servem ao nosso país neste momento. Nós temos um Estado que está a falhar. Temos um Governo que falha. Nós precisamos de uma Presidente da República exigente, e exigente porque defende quem trabalha e quem vive com tanta dificuldade o cotidiano. E essa Presidente, vocês sabem, sou eu", afirma.
Ainda assim, a eurodeputada não se afasta totalmente do contexto internacional. Em declarações aos jornalistas, durante uma visita à Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário (EMEF), em Matosinhos, Catarina Martins adianta que Portugal "pode e deve" pronunciar-se sobre a defesa da paz e do direito internacional, e assegurou que, se for eleita, recordará o Governo "todos os dias" que o direito internacional "é para cumprir e levar a sério, quando está em causa a Groenlândia, como quando está em causa a Ucrânia, Gaza ou qualquer outro ponto do mundo".
A antiga coordenadora do Bloco de Esquerda sublinha ainda que, no que toca à relação do país com os Estados Unidos da América, há uma relação a manter, mas que "Portugal não é um súbdito e não tem de ficar calado". "Podemos, seguramente, manter relações que protegem as comunidades portuguesas ao mesmo tempo que dizemos, com seriedade, que o direito internacional é para cumprir e que não aceitamos ameaças vindas de onde vierem", defende.
A candidata à presidência da República diz ainda que não sabe em que mundo a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social vive, ao afirmar, esta sexta-feira, que o número de despedimentos coletivos em Portugal é "baixíssimo"
"A ministra também achava que os jovens não queriam contratos de trabalho. E, portanto, eu não sei em que mundo é que a ministra vive, mas não vivo no mundo das pessoas que trabalham em Portugal. As pessoas em Portugal querem um emprego, querem um emprego estável e querem um emprego com um salário digno. É disso que precisam", afirma.
Para Catarina Martins, a ministra é "claramente, um problema para o país, não é uma solução".
Esta sexta-feira foi também anunciado o despedimento coletivo de 163 trabalhadores da multinacional Yakazi Saltano, em Ovar, que produz cablages e sistemas elétricos e eletrónicos. É o segundo despedimento em menos de um ano.
A candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda considera que, face a este anúncio, as declarações de Maria do Rosário Palma Ramalho "são declarações de uma enorme insensibilidade para com aquelas mulheres, sobretudo mulheres, que perderam o emprego agora", e também "uma enorme irresponsabilidade para com a economia do país".
"Eu conheço as operárias da Yazaki Saltano. São operárias altamente especializadas, que sabem mesmo muito. Nós precisamos muito daquelas operárias e do seu trabalho. Falar com esta leviandade do que está a acontecer é um insulto a cada uma destas mulheres e é uma irresponsabilidade quando se olha para a economia portuguesa", adianta.
Entre comboios, carruagens de metro e aparelhos de ar condicionado que estão a ser construídos, a antiga coordenadora do Bloco de Esquerda ouve o desabafo de um trabalhador da EMEF. "Os turnos aqui de 24 horas são muito duros. Muitas noites longe da família, fins de semana fora, isto não é fácil." A eurodeputada adianta que este ritmo de trabalho "faz muito mal à saúde", ao que o trabalhador concorda. "Temos colegas que chegam a por baixas psicológicas".
A candidata a Belém sublinha a responsabilidade destas funções na manutenção destes meios de transporte. "Com a sua assinatura, [o trabalhador] responsabiliza-se de que esta manutenção foi bem feita e que nós podemos confiar que temos segurança inteira. E, na verdade, nós pagamos salários muito baixos às pessoas que têm a responsabilidade de garantir a segurança de toda a gente".
Catarina Martins fez esta visita acompanhada por figuras do partido, como o ex-deputado José Soeiro, a ex-candidata a Belém, Marisa Matias, e o novo coordenador, José Manuel Pureza.
