
Paulo Novais/Lusa
Numa ação de campanha aos Mercadinhos da Margem Esquerda, em Coimbra, a candidata a Presidente da República deixa críticas ao ministro das Finanças e assegura que não promulgará qualquer lei que considere que 2300 euros seja "uma renda moderada"
Catarina Martins escolhe o tema da habitação para marca a ação de campanha deste domingo, em Coimbra. A candidata a Belém apoiada pelo Bloco de Esquerda diz que, se for eleita, vai ser o "travão de emergência aos preços da habitação".
"Acho que é preciso uma Presidente da República que seja travão de emergência aos preços da habitação. Eu serei esse travão de emergência", sublinha, adiantando que não vai promulgar "uma lei que acha que 2300 euros é uma renda moderada".
"Eu farei frente ao ministro das Finanças que venha ao Parlamento dizer que uma renda de mil euros já é muito baixa num país em que a maior parte das pessoas não ganha isso de salário", sublinha.
A eurodeputada baseia-se em dados da Eurostat para alertar para a problemática da habitação no país. "Nós tivemos os dados do Eurostat no final da primeira semana de campanha sobre o aumento dos preços de habitação na Europa. Portugal volta a ser um dos países onde o preço da habitação mais sobe e nós já somos recordistas do país onde é mais difícil arranjar uma casa com o salário que se ganha."
Da Europa para Portugal, Catarina Martins fala sobre Miranda Sarmento. "Ao mesmo tempo que temos esta notícia do Eurostat, foi aprovado na generalidade do Parlamento, por toda a direita, um diploma que dá uma borla fiscal a rendas que se chamam moderadas e que podem ir até aos 2300 euros. E eu confesso que fiquei chocada quando vi o Ministro das Finanças a defender que 2300 euros pode ser uma renda com uma borla fiscal por ser moderada e quando deu o exemplo de uma renda baixa disse mil euros", frisa, defendendo que a crise na habitação "é uma questão de regime. As pessoas têm que poder ter acesso à habitação com os salários que ganham."
A antiga coordenadora do Bloco de Esquerda considera que esta medida "vai muito provavelmente calhar na mesa da próxima Presidente da República para votar ou promulgar", e quer deixar uma "certeza": "Eu travarei qualquer diploma que diga que uma renda moderada são 2300 euros."
Na reta final de campanha, Catarina Martins desafia os outros candidatos a expressarem-se sobre esta matéria. "Era bom que todos os candidatos pronunciassem sobre isto porque a verdade é que esta medida foi viabilizada por toda a direita. Ou seja, toda a direita está a dizer ao país que acha normal dar borlas fiscais a rendas que são muito superiores aos salários praticados em Portugal."
A uma semana das eleições presidenciais, Catarina Martins diz que está "bem", que esta tem sido "uma campanha muito interessante".
"Vou continuar a ser absolutamente clara sobre as questões fundamentais do país. A fatura que as pessoas pagam para ter acesso a uma casa é uma dessas questões e é uma questão de regime. É uma questão de regime quando nós vemos as notícias de famílias inteiras a viver num quarto ou de várias gerações da mesma família a terem de partilhar uma casa", defende.
Ainda sobre a última semana de campanha, Catarina Martins frisa que não vai mudar de estratégia. "Vocês que conhecem-me, eu falo com toda a gente, gosto de fazer assim", afirma aos jornalistas.
"Há quem ande rodeado de imensa gente para não chegar lá ninguém e para só ouvirem as pessoas que já vêm nas comitivas, não é o meu caso." Questionava se estava a falar de algum candidato em particular, a eurodeputada responde "não, estou a falar de várias campanhas em que vejo isso a acontecer e não é só nesta, é recorrente."
Catarina Martins visitou os Mercadinhos da Margem Esquerda, da UC Exploratório - Centro de Ciência Viva de Coimbra, que junta produtores locais e atividades sobre ciência a cada 2.º domingo de cada mês.
A iniciativa chama-se "Mercadinhos da Margem Esquerda" surge acontecem na margem esquerda do rio Mondego, mas a ex-líder do Bloco de Esquerda brinca com o nome. "É uma feliz coincidência."
Nesta ação de campanha, Catarina Martins esteve acompanhada por Marisa Matias, antiga candidata à Presidência da República e membro do Bloco de Esquerda.
