Contra "fado dos baixos salários", Catarina Martins acusa Governo "empurrar" pacote laboral das presidenciais

Créditos: António Pedro Santos/Lusa
A candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda participou esta terça-feira no protesto da CGTP contra o pacote laboral. À TSF, Catarina Martins acusa o Governo de tentar afastar o tema da campanha presidencial e pede salários dignos e estabilidade no emprego
Catarina Martins assume-se, na TSF, como a candidata a Belém que pretende mostrar que Portugal não está condenado ao fado da precariedade no trabalho. "Eu sou candidata presidencial também para quebrar o tabu de que Portugal está condenado ao fado dos baixos salários nas longas horas de trabalho e dos contratos precários", afirma.
A candidata à presidência da República participou, esta terça-feira, na manifestação convocada pela CGTP, em Lisboa, contra o pacote laboral.
"Aqui estive com o meu compromisso inteiro, com uma outra economia que respeite quem trabalha e que tenha salários dignos", adianta.
A antiga coordenadora do Blogo de Esquerda considera que o Executivo está a tentar afastar o tema do pacote laboral na corrida a Belém. "O Governo tentou que o pacote laboral deixasse de ser assunto na campanha presidencial, adiando o debate, muito porque sabe que os candidatos da direita e do centro não têm uma resposta que satisfaça o país. O país parou [a 11 de dezembro, dia da greve geral], dizendo que não aceita que toda a gente fique a contrato precário em Portugal, os contratos a prazo fazem os salários mais baixos para toda a gente. O Governo está a tentar empurrar o assunto com a barriga a ver se o país esquece e é muito importante que o país não esqueça", argumenta.
A ministra do Trabalho, Rosário Palma Ramalho, afirmou, esta terça-feira, que a CGTP é que se afastou das negociações da reforma laboral, "ao contrário da UGT". Catarina Martins olha com naturalidade o facto de os sindicatos não quererem negociar piores condições de trabalho para os trabalhadores.
"Um Governo que quer negociar deve negociar para uma economia melhor e não dizer aos sindicatos 'venham a negociar para perderem tudo, para que as pessoas trabalhem mais horas, por menos salários, com menos direitos', isto é um absurdo", defende.
"É normal que os sindicatos não queiram negociar como [os trabalhadores] podem ficar pior. Agora, é muito bom que os sindicatos possam estar à mesa de negociações do Governo, mas para isso é preciso um governo que queira uma economia mais qualificada, com melhores salários, porque nós queremos que todas as gerações aqui encontrem um projeto de vida e é preciso não só respeitar quem já aqui trabalha, como também dar um horizonte às novas gerações que muitas vezes só veem a imigração como uma possibilidade de um futuro que as respeite", frisa.
A candidata apoiada pelos bloquistas acusa o adversário apoiado pela Iniciativa Liberal, João Cotrim de Figueiredo, de fraude política. "Há muita gente que esperava que João Cotrim de Figueiredo fosse capaz de substanciar em absoluto o discurso da extrema-direita, racista, xenófobo, violento contra as mulheres e Cotrim de Figueiredo acaba a dizer [na segunda-feira] que até ponderava votar em André Ventura numa eventual segunda volta. Isto é de uma enorme gravidade e tenho a certeza que há pessoas que votaram no sábado achando que Cotrim de Figueiredo nunca ficaria desse lado", diz.
Catarina Martins esteve na manifestação acompanhada por José Manuel Pureza. Ambos estarão esta noite numa sessão pública no Teatro da Cerca de São Bernardo, em Coimbra.
