Críticas à campanha: a "pobreza" do discurso político e a "leitura crítica" sobre Gouveia e Melo e Ventura na 2.ª volta

Foto: José Sena Goulão/Lusa
Alexandra Leitão, Pacheco Pereira e Pedro Duarte analisam a primeira semana de campanha, em que "se perdeu muito tempo com ataques pessoais sem grande fundamentação e que não ajudam nada"
A debate de ideias entre os candidatos presidenciais tem sido "pobre". É essa a conclusão que sai da análise de Pedro Duarte e Pacheco Pereira, no programa da TSF e CNN Portugal, O Princípio da Incerteza. Já Alexandra Leitão "arrumou" Gouveia e Melo e André Ventura na mesma gaveta: a do populismo.
"Gouveia e Melo porque estava fora da política e André Ventura porque se apresenta sempre como antirregime. Ele próprio diz que quer acabar com o regime que saiu da Constituição de 76 e criar uma 4.ª República. E, portanto, se porventura, por exemplo, passassem os dois, representariam uma leitura crítica relativamente aos dois maiores partidos que formaram a democracia portuguesa, PSD e PS, que, a meu ver, é má pelo significado que teria a passagem de Ventura, por exemplo, à 2ª volta em primeiro lugar, o que isso significaria para o sistema e para a estabilidade governativa", considera a socialista.
Para Alexandra Leitão, estas presidenciais têm "muitos focos de interesse e que podem mudar muita coisa". Por isso, acredita que são "umas eleições muito importantes".
Com uma semana de campanha, o historiador Pacheco Pereira estava à espera de um debate mais rico. "Eu espero que os candidatos nos digam qual é a sua visão sobre o país, qual é a sua visão sobre as questões internacionais, qual é a sua visão sobre os problemas do país", afirma, sublinhando que "não choca nada que haja uma discussão política geral".
"Até tenho pena que não se tenha ido mais longe nesta campanha", lamenta, recordando os candidatos presidenciais das últimas campanhas: Marcelo Rebelo de Sousa, Cavaco Silva, Jorge Sampaio, Mário Soares, Ramalho Eanes.
"Olhe-se para estas pessoas e olhe-se para os candidatos de hoje. Há uma diferença abissal. Mas a culpa não é só deles, a culpa é também da degradação do sistema político, a degradação dos grandes partidos que não fazem nenhum esforço para alterar esta situação, porque de alguma maneira há uma espécie de manto de mediocridade e que se reflete da maneira como foram todas as eleições presidenciais, como se elas não fossem importantes", argumenta.
Pelo PSD, Pedro Duarte frisa que "se perdeu muito tempo nesta campanha com ataques pessoais sem grande fundamentação, muito na base da insinuação, e que não ajudam nada".
"Eu sou absolutamente favorável à transparência, ao escrutínio de quem quer exercer funções públicas, mas acho que quando as campanhas eleitorais entram nesse jogo de lama e de atirar lama uns aos outros, todos perdemos enquanto democracia e os únicos que ganham são aqueles que se dão bem na lama e, normalmente, esses não são os mais saudáveis para a democracia", refere.
O atual presidente da câmara do Porto considera ainda que a campanha "não tem sido focada na visão que cada um dos candidatos tem da posição do Presidente da República".
"Tem-se analisado muito o estado do país, tem-se colocado muitos temas em torno daquilo que é a governação do país, tem-se falado de muitas matérias colaterais, mas a visão presidencial dos candidatos face aos diferentes temas tem passado ao lado da generalidade das candidaturas", acrescenta.
