Declaração "desmobilizadora" de Mendes e eventual apoio "desfavorecedor" de Jorge Pinto a Seguro não convencem investigadores

Miguel A. Lopes/Lusa
"A escolha em política" é feita mais pela "comparação" do que pelas "qualidades absolutas", afirmou a investigadora Rita Figueiras no Fórum TSF, em respostas à descrença na vitória de Marques Mendes em caso de "grande dispersão de votos"
No dia que se seguiu ao debate televisivo que reuniu os 11 candidatos à Presidência da República, o Fórum TSF debruçou-se sobre a corrida a Belém. Em destaque, estiveram a possível hipótese de derrota por parte de Luís Marques Mendes e a assunção de eventual desistência de Jorge Pinto a favor de António José Seguro.
A investigadora Rita Figueiras sublinhou que o reconhecimento de Luís Marques Mendes, na última segunda-feira, de que poderá não ir à segunda volta, se houver "grande dispersão de votos", pode não ter o efeito pretendido pelo candidato apoiado pelo PSD e CDS.
"Assinalar com o medo de não estar presente pode mobilizar alguns eleitores, mas também é desmobilizador", considerou a professora da Universidade Católica.
Ainda assim, afirmou que "a escolha em política" é feita mais pela "comparação" e menos pelas "qualidades absolutas" de um candidato, neste caso, de Marques Mendes. No caso do social-democrata, na perspetiva da investigadora, o eleitorado mobiliza-se pelo que é "diferente" ou "semelhante" entre Marques Mendes e os restantes candidatos.
No que diz respeito às declarações de Jorge Pinto no debate entre todos os candidatos - que afirmou que não seria por si que António José Seguro não seria Presidente da República, desafiando os restantes candidatos da esquerda a evitarem uma vitória da direita - Rita Figueiras frisou que é uma "questão que já tinha sido colocada e que progressivamente vem ganhando mais destaque".
No debate, a resposta de Jorge Pinto tornou óbvio que a opção está "em cima da mesa". A investigadora defendeu que, do ponto de vista do Livre, "não interessa ficar tão reduzido em termos de resultados eleitorais".
José Palmeira, professor no Centro de Investigação em Ciência Política, considerou um erro achar que "a desistência de um candidato" resulta no benefício do candidato posteriormente apoiado pelo desistente.
"Primeiro, porque os eleitores que votam nesses candidatos são livres de tomar outras opções" refletiu o investigador, segundando que "o apoio de um candidato do centro por parte de um candidato de esquerda pode, de facto, favorecê-lo a um eleitor de esquerda", mas pode "desfavorecê-lo a um eleitor mais à direita".
Além disso, no caso de António José Seguro, "sabe-se que se situa num espaço político onde consegue buscar votos um lado e o outro". A consequência do apoio de um candidato do Livre, vincou, "pode retirar-lhe votos à direita".
"Não diria que isso representa necessariamente uma maximização da votação por parte de António José Seguro", concluiu José Palmeira.
Depois do Fórum TSF, Jorge Pinto assegurou que a sua candidatura a Belém "vai até ao fim".