Gouveia e Melo acusa primeiro-ministro de tentar condicionar escolha do futuro Presidente

Henrique Gouveia e Melo diz que Portugal "precisa de um Presidente que seja um árbitro do sistema"
Homem de Gouveia/Lusa (arquivo)
O candidato presidencial salientou que o próximo chefe de Estado não pode ser nem marioneta, nem oposição ao Governo
O candidato presidencial Gouveia e Melo acusou esta segunda-feira o primeiro-ministro de procurar condicionar a escolha dos portugueses nas eleições e salientou que o próximo chefe de Estado não pode ser nem marioneta, nem oposição ao Governo.
Henrique Gouveia e Melo falava após ter visitado a fábrica da Delta, em Campo Maior, distrito de Portalegre, após ter sido confrontado pelos jornalistas com declarações proferidas pelo presidente do PSD e primeiro-ministro, Luís Montenegro, que enquadrou o almirante no conjunto dos candidatos populistas às próximas eleições presidenciais.
O ex-chefe do Estado-Maior da Armada começou por prometer que, se for eleito Presidente da República, terá "uma relação construtiva e institucional" com o Governo, mas assinalou logo a seguir que ouviu "com desagrado as declarações do primeiro-ministro".
"Acho que o senhor primeiro-ministro esteve mal, porque não se pode esquecer que, mesmo enquanto presidente do PSD, continua a ser um primeiro-ministro. Não consegue dissociar as duas coisas. E vai ter que conviver com o futuro Presidente da República, seja ele qual for", avisou.
Mas foi mais longe: Luís Montenegro, segundo o ex-chefe do Estado-Maior da Armada, "não pode condicionar os portugueses a escolherem o Presidente da República que ele acha que lhe dá jeito".
Depois, neste contexto, recusou ser populista, voltou a definir-se como estando posicionado no centro político, defensor de uma economia social, deixando farpas indiretas aos seus opositores Marques Mendes e António José Seguro, embora sem os nomear.
"Portugal precisa de um Presidente que seja um árbitro do sistema, que seja equilibrado. Ser uma marioneta de um Governo não é bom para o sistema, até porque o Governo nem tem maioria absoluta [no Parlamento]. Mas também tentar escolher uma pessoa que vá para lá para fazer uma oposição ao Governo não me parece igualmente uma coisa muito boa", sustentou.
Segundo o almirante, na corrida a Belém, estão "dois candidatos do sistema: um a querer ir para Presidente para ajudar o Governo; e outro a querer ir para dizer que, de alguma forma, contraria o Governo".
