Gouveia e Melo diz que Cotrim Figueiredo revela instabilidade política e critica quem foge à justiça

José Sena Goulão/Lusa
"Já tinha acontecido isso antes. Fez aquela proposta sobre o veto absoluto na Presidência da República e a seguir retirou-a", aponta o candidato
O candidato presidencial Gouveia e Melo considerou terça-feira que o comportamento político do seu adversário Cotrim Figueiredo revela instabilidade e criticou a existência de sondagens sem rigor matemático, mas que são instrumentos de influência eleitoral.
Henrique Gouveia e Melo falava aos jornalistas à entrada do Mercado do Livramento, em Setúbal, tendo ao seu lado Fernando Negrão, seu apoiante, antigo deputado e ministro social-democrata.
O ex-chefe do Estado-Maior da Armada foi questionado pelos jornalistas sobre o facto de o seu adversário Cotrim Figueiredo não ter excluído um apoio a André Ventura, caso fique de fora da segunda volta das eleições presidenciais.
Na sua resposta, o ex-chefe do Estado-Maior da Armada observou que o eurodeputado liberal e seu adversário na corrida a Belém "disse depois que se enganou", corrigindo a posição que antes sustentara sobre um eventual apoio ao líder do Chega.
"Já tinha acontecido isso antes [com Cotrim Figueiredo]. Fez aquela proposta sobre o veto absoluto na Presidência da República e a seguir retirou-a. Tudo isto revela instabilidade política. É preciso ter muito cuidado com as palavras", advertiu Gouveia e Melo.
Ainda sobre o facto de Cotrim Figueiredo não ter excluído apoiar o líder do Chega numa segunda volta das eleições presidenciais, o almirante classificou como estranha essa eventual opção por parte do antigo líder liberal.
"Achei estranho que um candidato do campo moderado tivesse admitido manifestar esse apoio, mas ele lá saberá o que pensa e naquilo que acredita. Pode ser que acredite que, fazendo essa coligação [com André Ventura], poderá ter vantagens", admitiu Gouveia e Melo.
Em contraponto, o ex-chefe do Estado-Maior da Armada fez questão de defender que, pessoalmente, "não é um taticista" no plano político.
"Defino um rumo", frisou, antes de voltar a insurgir-se contra o rigor matemático de alguns estudos de opinião que estão a ser divulgados sobre as eleições presidênciais. Uma questão em que visou, sobretudo, um barómetro diário.
"O tal "tracking pool" tem pouca validade, porque é uma média a três ou quatro dias, que muda sempre as pessoas que estão a ser entrevistadas. Relativizo esse instrumento, porque não me parece um instrumento rigoroso", advogou.
Mas, segundo Gouveia e Melo, a divulgação diária desse barómetro "pouco rigoroso" poderá estar a influenciar o comportamento dos eleitores.
"Esse instrumento é sujeito a interpretações políticas, que não me parecem adequadas neste período da campanha. A forma como se fazem as amostras neste período de campanha deve ser muito cuidadosa, porque pode influenciar a decisão eleitoral", apontou.
Para o almirante, em suma, este tipo de estudos de opinião pode mesmo "tornar-se um instrumento político e não de informação".
Gouveia e Melo foi questionado sobre os sucessivos adiamentos no julgamento do antigo primeiro-ministro José Sócrates e, embora sem comentar esse processo, criticou quem escapa à justiça material por ter posses ou dinheiro.
Gouveia e Melo começou por afastar a tese de que o Presidente da República possa "dar um murro" na mesa para acabar com sucessivos adiamentos de julgamentos.
"O Presidente da República pode pressionar a Assembleia da República no sentido de que faça uma legislação menos permissiva e menos garantística", contrapôs.
A seguir, o candidato presidencial deixou uma advertência, sempre sem falar em qualquer processo judicial em concreto: "Se a justiça formal tiver uma prevalência muito forte sobre a justiça material, podemos ter situações em que a justiça material não se faz, apesar de ter havido crime".
"A justiça formal deve permitir fazer justiça material e não ser um mecanismo em que, havendo dinheiro e posses, se possa escapar aos factos da justiça material", declarou.
No período de pré-campanha, José Sócrates sugeriu que Gouveia e Melo era a melhor opção nas eleições presidenciais para travar o avanço da extrema-direita em Portugal. Mas o almirante reagiu logo no dia seguinte, dizendo que nada tinha a ver com a posição manifestada pelo antigo líder do PS.
Os jornalistas procuraram também saber a opinião de Gouveia e Melo sobre referências a uma situação de assédio sexual publicada nas redes sociais, envolvendo o eurodeputado liberal Cotrim Figueiredo, um dos seus opositores na corrida a Belém.
"Sobre isso não vou fazer nenhum comentário. Não falo sobre isso", acentuou.
