Gouveia e Melo rejeita apoiar candidatos na 2.ª volta e alerta para possível vitória de André Ventura para "facilitar acordos de regime"

Henrique Gouveia e Melo durante uma viagem de comboio entre Cascais e Lisboa
Créditos: José Sena Goulão/Lusa
O candidato Henrique Gouveia e Melo está convencido de que vai estar numa segunda volta das eleições presidenciais. Mas, se não acontecer, também não vai apoiar nenhum dos candidatos, garantiu esta sexta-feira, em entrevista à TSF. O almirante voltou a alertar para uma possível vitória de André Ventura para "facilitar acordos de regime".
Acabámos agora de terminar a viagem de sair do comboio da Esperança, o nome dado pelo Henrique Gouveia e Melo ao comboio que fez o trajeto desde Cascais até ao Cais do Sodré. Reparo também que tem uma gravata verde verde, cor da esperança. É a Esperança numa ida à segunda volta?
Não. É uma esperança para Portugal. Eu tenho quase a certeza absoluta, no que se pode dizer, que vou passar à segunda volta, apesar de algumas indicações e previsões que eu não acho corretas e que influenciaram, ou estão a tentar influenciar, a opinião pública.
Está a falar das sondagens. Foi um dos alvos desta campanha eleitoral, as sondagens.
Foi claramente um alvo, mas veremos se no dia 18 se confirma ou não essa impressão minha.
A verdade é que ontem de manhã começou por dizer que André Ventura nunca venceria numa segunda volta, fosse qual fosse o adversário. À noite já teve um discurso diferente e alertou para uma possível vitória de André Ventura contra António José Seguro. O que o levou a esta mudança de discurso?
Uma conjugação de dois fatores. O primeiro fator foi perceber que o doutor Cotrim Figueiredo mudou de posição e disse que não via inconveniente em apoiar numa segunda volta o doutor André Ventura. E depois uma posição também um bocado dúbia sobre liberdade de voto do PSD. Pode haver a tentação de se criar um grande bloco à direita, pondo o doutor André Ventura na Presidência para facilitar acordos de regime à direita na Assembleia da República. E o que é curioso é que, nesse caso, a família da esquerda, o que tinha feito era precisamente pôr o extremismo da direita na Presidência.
Mas está convencido que parte do PSD, ou grande maioria, vai votar em André Ventura contra António José Seguro?
Se houver liberdade de voto, pode ser atraído com uma campanha bem feita, porque o doutor António José Seguro não é uma pessoa... Ele tem feito uma campanha basicamente de silêncio, de gestão de silêncios.
Então como é que explica o as boas intenções de voto que ele tem nas sondagens?
Ele não tem boas intenções de voto. Quem tem boas intenções de voto é o Partido Socialista que se agregou fortemente à volta da candidatura. Acho que ele não tem a atratividade necessária sozinho para garantir isso e não se esqueça que há muita gente cansada com o sistema. Isso pode denunciar o André Ventura.
Olhando agora para a campanha, fazendo um balanço destes 15 dias, do que é que se arrepende? Arrepende-se de alguma coisa que tenha feito ou dito?
Não. Eventualmente podia ter sido mais agressivo em certos debates.
Já foi considerado um dos candidatos mais agressivos nesta campanha.
Não, não sou não. Quer dizer, podem-me considerar, mas isso faz parte do mantra político para me atacar. Eu, de facto, não fui um candidato agressivo. Deixei passar um determinado tipo de provocações em debates e poderia ter reagido e sou capaz de reagir.
É o ponto negativo desta campanha, os debates televisivos.
Sim, é o ponto negativo, porque eu tive e mantive uma posição institucional e as pessoas confundem espetáculo com substância e pose com substância. Mas, de facto, tenho a esperança que o povo português tenha conseguido perceber que há uma diferença entre o que é a substância e o que é a pose. Na realidade, o debate significa pouco, porque as pessoas para decidirem bem têm que ser reflexivas e depois têm que ter coragem para aplicar as medidas e isso ninguém me tira. Não há nenhum outro candidato como eu nessa área.
E caso não vença estas eleições ou caso não passe a uma segunda volta, ainda há pouco não colocou de parte poder candidatar-se daqui a cinco anos. Porque é que o faz?
É assim, eu vou passar à segunda volta. Nem quero falar sobre outro cenário qualquer e já me arrependi uma vez de ter falado sobre o futuro antes de esse futuro se materializar.
Quando disse que nunca seria candidato à Presidência da República.
Sim. Na altura, fui forçado também pelas circunstâncias a dizer isso. Eu não quero ser forçado agora pelas circunstâncias a fazer declarações que não fazem sentido daqui a cinco anos de distância.
Portanto, admite apresentar essa candidatura daqui a cinco anos numa segunda volta. Caso não passe à segunda volta, vai declarar apoio a algum dos candidatos?
A primeira coisa, só corrigir um bocado a sua observação entre eles. Eu não disse que ia, ou que me preparava para candidatar. Eu disse é que não punha de parte, que é uma coisa completamente diferente. Relativamente aos apoios, eu não apoio nenhum destes candidatos. Porquê? Porque eu não vejo as candidaturas com as cores partidárias. Eu vejo as candidaturas com as personalidades e acho que nenhuma destas personalidades que está neste momento a concorrer à Presidência da República tem a qualidade necessária para nos ajudar e para ajudar a República nos temos que se adivinham. E, por isso, é que eu concorri.