João Costa acusa Marcelo de dar a mão a Governo "infantil": "Ficava bem ao Presidente alguma reserva"

João Costa
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Em declarações à TSF, o antigo ministro lamenta a mudança de postura do Presidente da República
Da “infantilidade” do Governo à “falta de reserva” de Marcelo Rebelo de Sousa, os elogios do antigo ministro João Costa vão apenas para Pedro Nuno Santos. Fora da elite política desde o fim do Governo de António Costa, João Costa prepara-se agora para o cargo de diretor da Agência Europeia para as Necessidades Especiais, mas mostra que continua atento à realidade nacional.
João Costa aponta o dedo a Marcelo Rebelo de Sousa, que “alterou a postura” desde que o Governo mudou de cor política, acusando-o de estar a dar a mão a Luís Montenegro. Por outro lado, coloca toda a pressão no PS para a aprovação do Orçamento do Estado.
Em declarações à TSF, o antigo ministro da Educação considera que Marcelo Rebelo de Sousa está a “querer neutralizar a oposição”, e lembra os tempos da governação de António Costa, quando o discurso que surgia de Belém era diferente.
“Quase todos os dias falava de dissolução da Assembleia da República, portanto, sem contribuir para qualquer estabilidade para o debate político. E agora faz o jogo do governo, que é apelar ou pôr no PS a responsabilidade da viabilização do orçamento, quando a responsabilidade tem que ser partilhada e, em primeiro lugar, a responsabilidade é do Governo. Este é o tempo de se discutir o Orçamento e não os cenários pós-orçamento e ficava bem ao Presidente da República alguma reserva”, apela.
Os elogios de João Costa vão apenas para Pedro Nuno Santos, que “tem sido o único responsável” no processo orçamental, e considera que o Governo tem “sido infantil” por negociar com o Chega e com a Iniciativa Liberal sem dar nota das reuniões.
“É muito estranho e até um pouco infantil, que face àquele comunicado absurdo que fez sobre a disponibilidade do secretário-geral do PS para reunir, não queira dar nota pública das reuniões que tem com o Chega. Acho que é no mínimo bizarro”, critica.
Pedro Nuno Santos “não tem tido um comportamento errático”, na opinião de João Costa, tendo colocado as cartas em cima da mesa logo no final de agosto. Comportamento diferente tem sido o do Governo que “ora diz uma coisa, ora diz outra”, assim como o do Presidente, “que ora diz que se governa com duodécimos, ora diz que há uma crise política”.