
Créditos: Fernando Veludo/Lusa
O candidato a Belém apoitado pelo Livre considera que "é um falhanço" para com as mulheres, se se confirmar que a ex-assessora da IL fez a denúncia em 2023 e que nenhuma ação foi tomada. Jorge Pinto esteve esta quinta-feira em Vila Nova de Gaia, na estação de metro de Santo Ovídio
Jorge Pinto pede aos partidos políticos que "levem a sério" denúncias de assédio sexual. Esta quinta-feira, a ex-assessora do grupo parlamentar da Iniciativa Liberal denunciou que os alegados comportamentos de João Cotrim Figueiredo tinham sido reportados ao partido em 2023.
O candidato deixa um alerta aos partidos: "Levem a sério estas denúncias e tomem medidas, porque se a denúncia foi feita e se não houve medidas tomadas, senão houve investigação - não sei [se houve], desconheço - é um falhanço o que estamos a fazer a essa mulher e a outras. De resto, prefiro não me pronunciar, porque a própria pessoa pede que deixemos o assunto seguir as suas vias", afirma, uma vez que, em comunicado, a alegada vítima adianta que avançará para tribunal.
Entretanto, João Cotrim Figueiredo já reagiu, insistindo que "não tinha qualquer conhecimento" da denúncia interna por assédio e que revelou apresentará esta quinta-feira uma queixa-crime contra a ex-assessora. Jorge Pinto sublinha ainda que é importante não haver uma "sessão de culpa por parte de quem faz uma denúncia".
As críticas ao candidato apoiado pela Iniciativa Liberal não ficam por aqui. Jorge Pinto considera que João Cotrim de Figueiredo entrou na corrida a Belém por "vaidade" e para voltar a conquistar a liderança do partido liberal.
"Eu tenho dito que esta minha candidatura não é por vaidade, não é para concorrer à liderança do meu partido, como parece ser o caso de João Cotrim Figueiredo. Não é por mais nada que não seja a defesa da República Portuguesa. Ponto final", remata.
"João Cotrim Figueiredo parece estar nesta corrida para ser líder da IL. Até fazendo uma análise histórica daquilo que aconteceu, João Cotrim de Figueiredo saiu [da liderança do partido], disse publicamente que o maior arrependimento dele era ter saído da Iniciativa Liberal do modo como saiu, disse, depois das eleições legislativas, que o resultado era - não me lembro da palavra, mas usando uma outra expressão que ficou famosa - 'poucochinho', empurrando Rui Rocha para debaixo do camião e obrigando-o praticamente a demitir-se. Mariana Leitão era então a candidata presidencial da IL e teve de deixar de o ser para que João Cotrim de Figueiredo passasse a ser e depois faz esta campanha como se estivesse a concorrer à liderança", acusa.
Quanto à possibilidade de Jorge Pinto concorrer à liderança do Livre no futuro, o atual deputado responde: "Eu não poderia estar em melhores mãos do que nas mãos dos co-porta-vozes atuais do Livre Isabel Mendes Lopes e Rui Tavares."
No penúltimo dia de campanha, Jorge Pinto volta a sublinhar que não tem arrependimentos e que avançar com a candidatura a Belém valeu a pena.
"Valeu a pena ter surgido uma candidatura que pôs em cima da mesa assuntos que marcaram praticamente toda a campanha até agora, desde logo o risco da revisão constitucional - um assunto que, me arrisco a dizer, vai também marcar a segunda volta, seja quem for o candidato. Valeu a pena porque foi uma candidatura que pôs em cima da mesa um discurso de esperança, um discurso de otimismo e que mostrou que não há vergonha em fazer campanha com uma mensagem baseada na empatia, na entreajuda e no amor", atirou.
Seja qual for o resultado na noite eleitoral deste domingo, o candidato assume as responsabilidades: "O resultado que surgir, bom ou mau, é da minha única e exclusiva responsabilidade, porque da parte do partido, das suas estruturas, tive todo o apoio necessário e, portanto, por aí não há nada a apontar."
Jorge Pinto passou esta quinta-feira de manhã em Vila Nova de Gaia. Segue para pelo Porto, onde vai fazer uma arruada em Cedofeita às 17h30 e um comício às 21h00, na Biblioteca Almeida Garrett, nos jardins do Palácio de Cristal.
