
João Relvas/Lusa
O Presidente da República continua a ser tratado como uma estrela por terras angolanas.
Marcelo viajou até à estação da Catumbela, depois de um curto percurso de comboio na mítica linha do período colonial, e foi recebido por um mar de gente que aguardava há horas na estrada, empoleirada em quiosques e estruturas publicitárias para ver e tocar no 'Ti Celito'.
Foi um percurso de 12 quilómetros de comboio, que liga o porto do Lobito à estação da Catumbela, o histórico caminho-de-ferro criado pelos portugueses e agora reabilitado por grupos chineses de construção.
Sentado nos lugares centrais de uma das impecáveis carruagens, ao lado do ministro angolano dos Transportes, Marcelo Rebelo de Sousa escutou, atento, a explicação de que os empresários portugueses podem ter um importante papel na manutenção.
"Aprendemos imenso, o senhor ministro e eu, e ficámos com uma ideia mais clara do futuro, para que é que vai servir o que está em curso no domínio dos caminhos-de-ferro, nas várias linhas, quais são as questões, quais são os problemas e onde é que Portugal pode, eventualmente colaborar", esclarece o chefe de Estado.
Na viagem de cerca de 20 minutos falou-se, entre outros temas, do triângulo das relações Portugal, Angola, China. Mas o tempo passou num instante e, à saída, dezenas de grupos de dança tradicional receberam a comitiva de ritmos quentes, muito pó e vivas a Marcelo.
O Presidente era aguardado por milhares de populares do lado de fora de estação. Estiveram lá durante horas, distribuíram-se por mais de 700 metros de estrada e 'Ti Celito' fez questão de percorrer o local a pé, de braço esticado, para cumprimentar o maior número de pessoas possível, sempre rodeado de dezenas de seguranças e repórteres de imagem.
Nada que assuste o inquilino de Belém, famoso também por Angola como Presidente dos afetos e que, em Benguela, aposta em partilhar muito de si com o imenso mar de gente que o recebe onde quer que vá.