Montenegro diz que habitação é "dos maiores constrangimentos ao desenvolvimento económico"

Créditos: António Cotrim/Lusa
Montenegro afirma que "o efeito das medidas que o Governo está a tomar precisa de dois ou três anos para começar a fazer sentir-se"
O líder da bancada do PSD, Hugo Soares, leu o testemunho de uma portuguesa que, disse, conseguiu casa graças à intervenção do Estado. Foi no debate quinzenal na Assembleia da República, esta quarta-feira, que o social-democrata afirmou que o essencial das políticas públicas é resolver os problemas concretos das vidas das pessoas. "Temos de agradecer ao Governo", defendeu, referindo-se aos problemas (da habitaçao à saúde) que "são resolvidos".
A ação do Governo "visa transformar o país, tratar aquilo que é de todos, reformar em nome de todos o país para podermos mudar a vida de cada um", disse, por seu lado, Montenegro, no seguimento da intervenção de Hugo Soares.
Garantiu, também, que o Executivo olha para a "generalidade" dos portugueses e procura "mudar a capacidade dos serviços públicos", para criar soluções "para os problemas que sentem".
No caso da cidadã mencionada por Hugo Soares, o primeiro-ministro afirmou que o Governo sempre entendeu que a habitação é "um direito fundamental", mas que tem sido "um dos maiores constrangimentos ao desenvolvimento económico do país". Isto porque a dificuldade no acesso à habitação dita a perda de recursos humanos nos sítios onde "há mais carência" de profissionais, referiu.
"Através da falta de competitividade temos menos oportunidades de emprego em quantidade e qualidade", reconheceu.
Tudo isto tem "repercusões em cadeia" que privam o país de explorar e desenvolver o seu "potencial", explicou ainda, completando que este contexto também dificulta a ação do Executivo, que tem procurado aumentar a oferta pública para aquisição de casas, bem como arrendamento.
"Mas há problemas que são imediatos. (...) O efeito das medidas que estamos a tomar precisa de dois ou três anos para começar a fazer sentir-se de uma forma mais maciça. E é preciso atuar do lado da procura", defendeu.
Os jovens, disse, são a principal prioridade, destacando desde logo a isenção do IMT e imposto de selo na compra da primeira casa, à qual se juntou o complemento com uma garantia pública para cobrir a parte que nos empréstimos não é assumida do ponto de vista do financiamento.
"Isto permitiu que cerca de 75 mil jovens tivessem adquirido casa. Dir-me-ião 'mas os preços não diminuiram' (...), mas esta opção particular era do lado da procura", justificou, dando como prova disso mesmo o exemplo da cidadã lido por Hugo Soares.
"Nós é que temos de agradecer aos jovens portugueses por acreditarem em Portugal e nós precisamos que eles acreditem", vincou, acrescentando que a mão de obra juvenil fortalece o país economicamente.
E terminou revelando que, para a reunião do Conselho de Ministros desta quinta-feira, está prevista a aprovação de mais investimentos no domínio da mobilidade.
