"Ninguém é dono dos votos de ninguém." Jorge Pinto recusa ter apelado ao voto útil

O canditado à Presidência da República, Jorge Pinto
Créditos: Fernando Araújo/Lusa
Jorge Pinto negou ter defendido o voto em Seguro, afirmando que só apela ao voto em si
O candidato presidencial Jorge Pinto negou esta quinta-feira ter defendido o voto em António José Seguro, afirmando que só apela ao voto em si, e disse-se surpreendido pelo impacto do que apelidou de "lapalissada" sobre liberdade de escolha dos eleitores.
Depois de esta tarde ter dito que percebe que os eleitores uma votem numa candidatura que impeça uma segunda volta entre um candidato antidemocrático e outro "demasiado próximo do Governo" e ter enviado uma carta aos militantes do Livre para que "votem livremente" no nome que "dê mais garantias de defesa da Constituição", Jorge Pinto voltou a falar aos jornalistas para afirmar que não disse mais do que uma "lapalissada" sobre "ninguém ser dono dos votos de ninguém".
"Eu não sou certamente. Não vivo num mundo abstrato, vivo no Portugal que temos em 2026. Ouço as pessoas e percebo que há muita gente assustada. A essas pessoas explico-lhes qual é a validade do projeto que estou a representar nesta eleição. Elas reconhecem e há muitas que me dizem que estão com medo e que poderão votar numa outra candidatura, precisamente movidas pelo medo. A essas pessoas, o que eu lhes digo é: 'Desde que votem em consciência e de maneira informada, o voto é legítimo.'", afirmou.
Jorge Pinto sublinhou que não quis apelar ao voto noutro candidato e atirou: "O voto útil seria na minha candidatura, ou acha que eu estou nesta candidatura para pedir às pessoas para não votarem em mim? É evidente que não."
O atual deputado e candidato a Presidente da República recusou também que esta carta retire força à sua candidatura. "Sabe o que é que não retira força a esta candidatura? Foi ter estado nos debates e marcar os debates pela positiva. É ter posto em cima da mesa e obrigar outros candidatos a discutir temas que, de outro modo, não teriam sido discutidos. É estarmos aqui no Porto, numa sala cheia, a um dia do final desta campanha, a dizer 'presente' porque há quem queira um país diferente."
Jorge Pinto admitiu ainda que fica "um bocadinho triste" por ver pessoas a votarem movidas pelo medo. "Mas não posso ficar afetado ou desiludido com essa pessoa, porque foi essa a razão que levou a ter um determinado sentido de voto. O que digo a essa pessoa é que dia 19 volte para o nosso lado, volte para esta luta, porque a luta portuguesa, a luta pela nossa democracia e pela nossa Constituição não termina no dia 18."
Jorge Pinto falou aos jornalistas antes do início do comício desta quinta-feira à noite, na Biblioteca Almeida Garrett, nos jardins do Palácio de Cristal, no Porto.
Neste comício participam os co-porta-vozes do Livre, Rui Tavares e Isabel Mendes Lopes, e a deputada Filipa Pinto.
