"Nós contra eles" dá lugar a "não-socialistas contra socialistas": como será discurso de Ventura na 2.ª volta

André Ventura
Créditos: António Cotrim/Lusa
Na TSF, Riccardo Marchi explicou como será o discurso de André Ventura na segunda volta das presidenciais e como votar no candidato pode reconfigurar a direita em Portugal
Riccardo Marchi, historiador e investigador na área da direita radical, acredita que o candidato presidencial e líder do Chega, André Ventura, vai optar por falar para aqueles que não se revêem no socialismo, já que, na segunda volta das eleições presidenciais, terá de "conquistar eleitores que não são antissistema".
"Mais do que uma moderação do discurso, André Ventura irá ajustá-lo ao eleitorado que está a procurar nesta segunda volta, mas com uma nuance." Em vez do clássico "nós contra eles", Ventura deverá optar pelo "não socialistas contra a área socialista", porque sabe que tem de conquistar eleitores que não são antissistema, ou seja, eleitores do CDS, do PSD e até da Iniciativa Liberal", considerou, em declarações à TSF.
"Se uma parte consistente destes eleitores [de centro-direita] votar de facto em André Ventura, permitindo-lhe um resultado entre os 30, 35 até 40%, isso terá consequências importantes para o futuro da política portuguesa", prosseguiu, sublinhando que pode estar iminente uma reconfiguração da direita portuguesa. "Possivelmente, até um esgotamento definitivo daquelas fórmulas do "não é não" e das linhas vermelhas. No futuro, uma fórmula governativa sólida para o centro-direita pode ter de obrigatoriamente passar não só pela Iniciativa Liberal, mas também pelo partido do Chega."
Independentemente do resulta de André Ventura na segunda volta, Riccardo Marchi não tem dúvidas de que já é uma vitória para o candidato ter chegado até este patamar e afirma que o objetivo agora será tentar capitalizar junto do Governo de Luís Montenegro. "Porque de certeza, no dia seguinte, irá bater à porta da Aliança Democrática e dizer: "Atenção, eu já não sou aquele aquele candidato, aquele político, aquele líder de um partido antissistema que pode ser só chamado quando precisam de votos em determinadas ocasiões. Sou um parceiro de coligação, mas estou aqui para disputar até a liderança de toda a área do centro-direita'."
"Portanto, as coisas vão mudar muito, dependentemente destas eleições. André Ventura sabe perfeitamente isso", concluiu.
Seguro e Ventura vão disputar a segunda volta das eleições presidenciais, em 8 de fevereiro, depois de, no domingo, o candidato apoiado pelo PS ter conquistado 31% dos votos e o líder do Chega ter obtido 23%.
Em terceiro lugar ficou Cotrim Figueiredo, apoiado pela Iniciativa Liberal, com 16%, à frente de Gouveia e Melo, com 12%, e de Marques Mendes, apoiado pelo PSD e CDS, com 11%.
À esquerda, Catarina Martins (BE) teve 2%, António Filipe (PCP) teve, 1,6% e Jorge Pinto (Livre) 0,6%, que ficou abaixo do cantor Manuel João Vieira que conseguiu 1%. O sindicalista André Pestana recolheu 0,2% e Humberto Correia 0,08%.
