Número de eleitores em Portugal aumenta 44%: o retrato das dez presidenciais em democracia

Foto: Gregório Cunha/Lusa (arquivo)
Na reta final da corrida a Belém, a Pordata retrata a "evolução histórica" das dez eleições presidenciais em democracia. Além do aumento do número de eleitores, o estudo destaca também o crescimento da abstenção
De 1976 a 2021, ano das últimas eleições presidenciais, o número de eleitores em Portugal aumentou 44%. Se forem incluídos nas contas os emigrantes, que passaram a votar a partir de 2001, o crescimento chega aos 70%. Esta é uma das conclusões do estudo da Pordata, a base de dados da Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS), que analisa as dez eleições presidenciais realizadas em democracia.
Os dados mostram também um padrão claro: todos os Presidentes eleitos para um primeiro mandato foram reconduzidos para um segundo. Todos, à exceção de Ramalho Eanes, tiveram uma maior percentagem de votos válidos na sua reeleição. Mário Soares foi quem mais aumentou essa percentagem, em 19 pontos percentuais.
As eleições mais renhidas foram em 1986, na segunda volta entre Mário Soares e Freitas do Amaral, com a vitória do socialista por pouco mais de 150 mil votos.
Além disso, quatro dos candidatos vencidos numa eleição para um primeiro mandato concorreram à eleição seguinte: Otelo Saraiva de Carvalho, Manuel Alegre, Marisa Matias e Vitorino Silva. O estudo indica que todos tiveram menor votação, com destaque para Otelo Saraiva de Carvalho, que baixou de 16,5% para 1,5%.
A abstenção é outro ponto realçado pela Pordata, tendo aumentado em todas as reeleições, exceto nas eleições de 1976 e de 1980. O ato eleitoral de 2021 teve a taxa de abstenção mais elevada: a taxa de abstenção oficial foi de 54,6% e a taxa de abstenção real foi de 48,6%.
O estudo revela ainda uma curiosidade eleitoral: o distrito de Santarém teve, nas dez eleições presidenciais, um padrão de votação muito próximo do resultado nacional, funcionando como um espelho do país nas presidenciais. O mesmo aconteceu com os distritos do Porto e de Castelo Branco em oito das eleições.
Em sentido inverso, o distrito de Beja teve sempre um padrão de votos muito distinto do nacional, sempre com uma diferença para algum candidato superior a dez pontos percentuais.
As eleições presidenciais estão marcadas para o 18 de janeiro e há 11 candidatos na corrida: Henrique Gouveia e Melo, Luís Marques Mendes, António José Seguro, André Ventura, João Cotrim de Figueiredo, Jorge Pinto, Catarina Martins, António Filipe, Humberto Correia, André Pestana e Manuel João Vieira.
