"Ótima escolha." Nomeação de Luís Neves é "excelente cartada" e "atinge um dos elementos da propaganda política do Chega"

Luís Neves, novo ministro da Administração Interna
Créditos: DR (arquivo)
A escolha de Luís Neves para ministro da Administração Interna esteve em debate n'O Princípio da Incerteza
Pedro Duarte, Pacheco Pereira e Alexandra Leitão consideram que a nomeação de Luís Neves para novo ministro da Administração Interna foi "uma excelente escolha" do primeiro-ministro, Luís Montenegro. Luís Neves foi escolhido para substituir Maria Lúcia Amaral, que se demitiu de ministra da Administração Interna depois da onda de críticas à forma como atuou e geriu a resposta à depressão Kristin, que assolou o país no final de janeiro. O tema subiu a debate no programa O Princípio da Incerteza, da TSF e CNN Portugal.
O autarca do Porto, Pedro Duarte, fala numa "excelente cartada" de Luís Montenegro, naquela que "era considerada a escolha mais difícil de todas". "Foi uma ministra que se demitiu num momento muito difícil e, nesta circunstância, ter a capacidade de convencer alguém para assumir uma pasta desta natureza seria sempre difícil. Ora, o primeiro-ministro conseguiu convencer alguém que, ainda por cima, surpreendeu tudo e todos do ponto de vista positivo", argumenta.
Questionado sobre se esta é uma escolha coerente com aquilo que tem sido o discurso do Governo em matéria de segurança e de política de imigração, Pedro Duarte diz não ter dúvidas.
"Percebo que há um certo comentariado que, desde as últimas campanhas eleitorais, não percebeu muito bem aquilo que é o posicionamento do Governo face a esta matéria. Não se encontra uma única afirmação do primeiro-ministro a confundir segurança com imigração. E há uma coerência absoluta entre uma coisa e outra."
Referindo que Luís Neves, enquanto diretor da Polícia Judiciária "estava a servir o país, através de uma nomeação governamental, já feita por este Governo", Pedro Duarte afirma, por isso, que "havia um alinhamento já anterior".
O historiador Pacheco Pereira afirma que o Governo está em baixo e precisava desta nomeação, assinalando que foi uma escolha tão boa que só não agrada ao Chega.
"Não conheço nenhum ministro nos governos da democracia desde o 25 de Abril com tão boa recepção como tem o atual ministro da Administração Interna. Isso diz muito, até porque nessa receção, em todo o espetro político, há uma exceção: o Chega. Essa exceção é muito significativa porque este homem é duro contra o crime e é duro contra a desinformação. E esta segunda parte atinge diretamente tudo aquilo que é um dos elementos fundamentais da propaganda política do Chega, que são falsidades sobre a situação de insegurança e sobre o papel dos imigrantes nessa insegurança."
Pacheco Pereira classifica Luís Neves como uma "excelente escolha" por parte do chefe do Governo. "É excepcional a recepção que ele tem tido", atira.
Por sua vez, Alexandra Leitão assume ter sido surpreendida de forma positiva com a nomeação de Luís Neves para ministro da Administração Interna.
"É um homem com muita experiência, conhece muito bem o setor das forças de segurança. A Polícia Judiciária tem características específicas, mas não deixa de pertencer a esse universo e acho que é uma pessoa com excelentes características e uma ótima escolha", diz, admitindo ter sido surpreendida.
"Luís Neves foi, em vários momentos - e bem - bastante vocal e sempre alicerçado em estatísticas relativamente à diferença entre insegurança e perceção de insegurança. E este nem sempre tem sido o discurso do Governo, para não dizer até que não é de todo o discurso do Governo, que tem tido um discurso mais securitário, um discurso, às vezes, equívoco na ligação entre segurança e imigração. Fiquei um pouco surpreendida pela escolha, mas, devo dizer, agradavelmente surpreendida, uma vez que isto pode significar que o Governo vai ter uma nova política pública nesta área e, sobretudo, um novo discurso nesta área."
Luís Neves, até agora diretor nacional da Polícia Judiciária, é esta segunda-feira empossado como ministro da Administração Interna pelo Presidente da República, substituindo Maria Lúcia Amaral, naquela que é primeira mudança no segundo Governo de Luís Montenegro.
Paulo Simões Ribeiro, Telmo Correia e Rui Rocha serão reconduzidos como secretário de Estado Adjunto e da Administração Interna, secretário de Estado da Administração Interna e secretário de Estado da Proteção Civil respetivamente, transitando da equipa de Maria Lúcia Amaral.
Maria Lúcia Amaral pediu a demissão no passado dia 10, na sequência da passagem da depressão Kristin pelo território nacional continental, que causou vítimas mortais e uma grande devastação, sobretudo na região Centro.
Do ponto de vista político, a sua atuação estava a ser contestada pelos sindicatos representativos das polícias, por bombeiros e, após as tempestades, por autarcas e, principalmente, pelos partidos da oposição.
Na nota oficial sobre a sua demissão referia-se que Maria Lúcia Amaral entendeu "já não ter as condições pessoais e políticas indispensáveis ao exercício do cargo".
O primeiro-ministro assumiu transitoriamente a pasta da Administração Interna.
Luís Neves desempenhava o lugar de diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ) desde 2018. É licenciado em Direito, ingressou na PJ em 1995, após uma breve passagem pela advocacia.
Ao longo do seu percurso profissional na PJ, esteve sempre ligado à investigação criminal, em particular na esfera do crime violento e organizado, terrorismo e todas as formas de extremismo violento, rapto, sequestro, tomada de reféns, assalto à mão armada, tráfico de armas, tráfico de seres humanos, crimes cometidos com recurso a engenhos explosivos e crimes contra órgãos de soberania.
Antes, foi diretor da Unidade Nacional Contra-Terrorismo (UNCT) e da extinta Direção Central de Combate ao Banditismo (DCCB).
