Para travar "negócio do fogo", André Pestana quer Exército a combater incêndios

Créditos: Paulo Novais/Lusa
Em ação de campanha na cidade onde nasceu, o candidato presidencial propõe um combate frontal aos incêndios florestais e critica os interesses económicos associados, defende um papel interventivo das Forças Armadas, e promete usar a influência do cargo para pressionar o Governo
O combate aos incêndios e ao "negócio do fogo" é o tema escolhido por André Pestana na sua ação de campanha deste domingo, em Coimbra, cidade onde nasceu e cresceu. O sincalista do Sindicato de Todos os Profissionais de Educação (STOP), com atividade suspensa enquanto concorre a Presidente da República, defende o recurso às Forças Armadas para travar os incêndios.
"O importante é combater o lucro da poderosa indústria e dos negócios do fogo, em que mais ninguém diz, como eu, que o Exército tem de estar no verão a combater os incêndios, e não alugarmos essas empresas super caras [para o combate]", defende.
O professor sugere ainda que a prevenção dos incêndios devia estar a ser tratada já durante os meses mais frios: "Agora, durante o inverno, devíamos estar todos a fazer o trabalho de casa, a limpar as matas."
Um Presidente da República não governa, mas André Pestana garante que, se for eleito, usará a influência do cargo para "pressionar" o Governo a tomar ações.
"Se fosse Presidente da República, eu estaria, por exemplo, na crise dos incêndios a dizer abertamente: temos de parar com o negócio do fogo e o nosso Exército tem de ter a aviação a estar exclusivamente a combater este flagelo, para não termos a tragédia nacional que temos todos os verões. Este é um tema que o próprio Presidente da República deveria ser mais interventivo", sublinha.
"O Presidente da República é o chefe supremo das Forças Armadas e alguém devia ter coragem para dizer que as Forças Armadas deviam estar a defender as populações no verão, quando está a ocorrer os incêndios, e não estarmos a defender, nem que seja com a nossa omissão, o poderoso negócio do fogo, que tem, a nível de aluguer, dezenas de milhares de euros à hora", denuncia ainda.
O candidato a Belém entende, assim, que o dinheiro alocado para travar os incêndios pode dar resposta a outras situações do país que merecem atenção. "Portugal não pode continuar a desperdiçar esse dinheiro quando tem tantos e tantos problemas. Há mais de um milhão de reformados em Portugal que recebem menos de 470 euros, por isso, nós não nos podemos dar ao luxo de estar a alimentar esse lucro e demos dizer as coisas com frontalidade", insiste.
O sindicalista escolheu os Mercadinhos da Margem Esquerda para palco da sua ação de campanha este domingo e explica porquê. "Aqui estão representados produtos regionais e uma das formas também de combater os incêndios é aumentar a produtividade e a economia local, nomeadamente do interior, que está a ser muito esquecido", argumenta.
"Em vez de estarmos a gastar os milhões que estamos todos os anos a combater os incêndios, se dessemos incentivos para que as pessoas fossem para o interior, tivessem capacidade de produzir produtos regionais, é uma forma também de alimentar a economia nacional e combater a desertificação do interior", adianta, lamentando que os incêndios sejam um "tema tão importante esquecido nos debates."
O sindicalista volta a assegurar que, se for Presidente da República, o país não gastará "nem mais um euro para a NATO nem para as suas guerras". Para André Pestana, as "guerras" que Portugal tem de travar são outras.
"A guerra que nós temos de fazer não é contra outros povos, é exatamente a guerra contra a tragédia dos incêndios, a guerra contra os baixos salários que fazem com que a nossa juventude emigre, a guerra contra as baixas pensões, a guerra contra a destruição ambiental, a guerra contra a degradação dos serviços públicos", salienta.
André Pestana esteve acompanhado por alguns apoiantes, incluindo a mãe, Maria Helena. Questionada como é ser mãe de um candidato a Presidente da República, a professora reformada confessa que é inquietante.
"Eu preocupo-me muito. Muitas vezes digo: 'Mas para que é que tu andas nisto?' Dá-me muitas preocupações, já com o STOP foi a mesma coisa, mas uma mãe sofre sempre. Mas agora que começou, é andar para a frente", responde, ao que o filho completa: "E abrir a pestana."
Na segunda-feira, o candidato a Belém estará no Porto, onde visitará uma cooperativa.
André Pestana já fez parte da Juventude Comunista Portuguesa (JCP), do Bloco de Esquerda e do Movimento Alternativa Socialista (MAS).
