Pedro Duarte admite que MAI "foi erro de casting" e reconhece "inadaptação ao mundo mediático"

A ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral
Créditos: Filipe Amorim/Lusa (arquivo)
No programa O Princípio da Incerteza, Alexandra Leitão e Pedro Duarte falam em "erro de casting" no cargo atribuído a Maria Lucia Amaral. Pacheco Pereira diz que ministra foi "má atriz" para o "espetáculo" mediático
O autarca do Porto, Pedro Duarte, afirma que a escolha de Maria Lucia Amaral para o cargo de ministra da Administração Interna "foi erro de casting". A socialista Alexandra Leitão partilha desta visão, mas ressalva que esta "não pode ser o bode expiatório" de tudo o que correu mal na resposta às tempestades que afetaram o país.
Em declarações no programa O Princípio da Incerteza, da TSF e CNN Portugal, Alexandra Leitão considera que houve momentos em que as pessoas se sentiram "muito sozinhas".
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"Houve [entre] dez dias a duas semanas em que as pessoas se sentiram muito sozinhas. Naturalmente, melhorou nesta fase de cheias, da última semana, com toda a gente a ir para Coimbra. A autarca de Coimbra também fez o seu bom papel. Mas, como disse uma vez um ex-primeiro-ministro e atual secretário-geral das Nações Unidas, não há uma segunda oportunidade de causar uma primeira boa impressão", atenta.
O atual presidente da Câmara Municipal do Porto, Pedro Duarte, reitera as palavras da socialista e avalia que a regionalização deve saltar para o debate público, já que o comboio de tempestades colocou em causa a gestão e coesão territorial.
"Foi manifestamente um erro de casting por uma pessoa que tem imensas qualidades: além das académicas, das qualidades profissionais e técnicas, eu acho que tem qualidades humanas excecionais. Contudo, hoje em dia, um ministro tem de ter algumas características, designadamente do ponto de vista da comunicação pública, que são inevitáveis", afirma.
Pedro Duarte diz que esses problemas, que afetaram a capacidade de liderança no Ministério, advêm essencialmente de uma "inadaptação ao mundo mediático, que manifestamente a professora Maria Lúcia Amaral não tem". O autarca deixa, contudo, claro que "isso não é um defeito, mas sim uma característica".
Já Pacheco Pereira entende que a ministra foi "má atriz" para o "espetáculo" mediático.
"Não sei o que a ministra fez de concreto, mas ir para o terreno não é muitas vezes a melhor solução. A ministra da Administração Interna não é compatível com o que é hoje o panorama mediático. Tudo é espetáculo e, quando tudo é espetáculo, temos bons atores ou temos maus atores. Não sei o que é que a ministra fez ou não fez, mas claramente era má atriz para este tipo de mecanismos", afirma.
