"Há linhas que não se ultrapassam." Portugal defende "resposta bastante forte" a ameaças de Trump à Gronelândia

Créditos: Olivier Hoslet/EPA
Eurogrupo pondera medidas de retaliação após ameaça de Trump para anexar território da Aliança Atlântica
Os ministros das Finanças da zona euro discutem, esta segunda-feira, as possibilidades de retaliação contra os Estados Unidos, na sequência das ameaças do presidente norte-americano, Donald Trump, sobre o território dinamarquês da Gronelândia. O ministro das Finanças português, Joaquim Miranda Sarmento, defende uma reação firme e concertada dos 27 Estados-membros, considerando que estão a ser ultrapassadas "linhas vermelhas" inaceitáveis.
À entrada para a reunião do Eurogrupo, em Bruxelas, Joaquim Miranda Sarmento sublinhou que as declarações de Donald Trump configuram uma ameaça direta à soberania territorial de um Estado-membro da União Europeia, no caso a Dinamarca, ultrapassando aquilo que pode ser politicamente tolerado.
"Tem de ser uma resposta unida e uma resposta bastante forte, porque há linhas que não se ultrapassam e a soberania dos Estados é uma dessas", afirmou o ministro.
Segundo Miranda Sarmento, os ministros das Finanças analisam um conjunto de cenários de resposta, incluindo medidas de natureza económica e comercial. Em cima da mesa está a possibilidade de aplicação imediata de sanções comerciais a produtos norte-americanos, num valor global estimado em cerca de 93 mil milhões de euros.
"Estamos preparados para atuar em conjunto, para avaliar as várias hipóteses, sendo que esta é uma linha vermelha que a União não pode deixar de passar", acrescentou.
A discussão ocorre num quadro de tensão em torno da Gronelândia, cuja importância estratégica tem vindo a aumentar devido ao degelo do Árctico, ao acesso a novas rotas marítimas e a recursos naturais críticos. Donald Trump voltou recentemente a sugerir, em declarações públicas, a possibilidade de controlo norte-americano sobre o território, reacendendo um tema que já tinha gerado forte polémica no arranque do seu mandato presidencial.
O ministro das Finanças reconheceu que uma eventual retaliação europeia contra os Estados Unidos terá impactos económicos, incluindo em Portugal, embora tenha sublinhado a resiliência da economia nacional.
"Naturalmente que alguns setores de bens são mais expostos aos Estados Unidos, já tiveram um primeiro choque com a aplicação das tarifas, mas do ponto de vista económico, quer a nossa economia, quer as finanças públicas estão numa situação robusta, mas os choques externos negativos têm sempre impacto", afirmou.
Ainda assim, Miranda Sarmento deixou claro que Portugal acompanhará a posição que vier a ser adotada a nível europeu, sublinhando a importância da unidade política face a ameaças externas. "Portugal estará sempre do lado do compromisso da solução maioritária e da defesa da Europa", concluiu.
A reunião do Eurogrupo deverá servir para alinhar posições políticas e técnicas, antes de eventuais decisões formais ao nível da União Europeia. Para quinta-feira está prevista uma reunião de chefes de Estado ou de Governo, convocada por António Costa, para discutir a ação europeia diante das ameaças de Donald Trump à integridade territorial de um Estado-membro.
*Notícia atualizada às 15h44