Primeiro-ministro confiante em ciclo sem eleições: com nova mentalidade e aviso para "os fracos"
Autor: Francisco Nascimento
O tom é idêntico ao da mensagem de Natal. Luís Montenegro veste o fato de um primeiro-ministro que quer motivar o país e incutir uma nova mentalidade. A "mentalidade Cristiano Ronaldo", novamente mencionada na mensagem de Ano Novo, nas páginas do Jornal de Notícias, que é "a escolha entre continuar a fazer o suficiente ou ambicionar atingir o excelente". O recado fica dado também à oposição, ou aos "fracos", para que contribuam para a estabilidade política com um ciclo sem eleições até 2029.
Nos próximos quatro anos, o primeiro-ministro quer fazer a escolha "entre jogar para não descer de divisão ou jogar para entrar e ficar na Liga dos Campeões". A resposta é óbvia e, por outros palavras, significa "colocar os portugueses a acreditarem mais em Portugal, e em si próprios". Uma mentalidade que, na opinião de Montenegro, vai ajudar o país a um novo ciclo de crescimento.
"O meu desejo para 2026 é, ainda assim, mais do que ser atrativo. É um objetivo, uma ambição e um desígnio pelo qual me baterei sem descanso: incutir uma nova mentalidade que nos lance para um ciclo de crescimento e prosperidade que são os alicerces da justiça social, do combate à pobreza e do bem-estar de cada português: pôr os portugueses a acreditar mais em Portugal, mais em si próprios", escreve o primeiro-ministro.
Nesta data, Portugal celebra 40 anos da adesão à União Europeia (antes, Comunidade Económica Europeia) e, 40 anos depois, "voltam a existir razões para encarar o futuro com esperança e confiança com um renovado ciclo de transformação e reformismo".
Depois das presidenciais, abre-se um horizonte sem eleições nacionais até 2029, "uma oportunidade e uma responsabilidade que não se pode desperdiçar". A mensagem é dirigida à oposição, ou para "os fracos", como escreve o primeiro-ministro.
"Os fracos são precisamente aqueles que não são capazes de se focar no essencial. Temos de os respeitar, mas sabemos que vão envelhecer a eternizar teorias sobre pequenos pormenores, questiúnculas, intrigas e especulações que são o seu ganha-pão", acrescenta.
O primeiro-ministro promete dar "primazia, substância e conteúdo político à atitude" embora "muitos pudessem esperar a rotina política do costume, com discursos legítimos e democráticos, mas repetitivos e redondos".
"Entendo que estamos num momento decisivo para fazermos uma escolha cujos efeitos se podem fazer sentir por muitos anos. Não é entre direita e esquerda ou entre moderado e radical. É a escolha entre continuar a fazer o suficiente ou ambicionar atingir o excelente", escreve.
Sem mencionar a polémica reforma laboral, o primeiro-ministro escreve que a "simplificação de processos e a flexibilidade laboral são pressupostos para melhores empregos e melhores salários" - "São fundamentais para salários dignos!" - naquele que será um trabalho que vai continuar no novo ano, assim como na educação, habitação ou saúde.
No que toca à saúde e, embora prevista para dezembro de 2025, o primeiro-ministro insiste numa "Lei de Bases da Saúde adaptada aos novos tempos". Mas mais: "Para que os nossos filhos tenham a educação que merecem, começando por deixar de sentir a falta de professores. Para que o acesso a habitação deixe de ser um problema de muitos e passe a ser um verdadeiro direito de todos. Para continuarmos a reforçar o Portugal seguro e com imigração regulada, com humanismo, que a todos dignifica".
Objetivos para 2026, num caminho que "só pode ser apontar alto para fazermos possível o que antes tinha aparência de impossível", sempre com uma nova mentalidade: "Sem medo de sonhar com o melhor, em vez de aceitar o suficiente".
