PS aceita pedido do Governo para adiar debate quinzenal, mas sugere que seja realizado "na próxima semana"

Créditos: Filipe Amorim/Lusa (arquivo)
Em declarações à TSF, o líder parlamentar socialista, Eurico Brilhante Dias, refere que é "importante" que o Parlamento tenha "um momento de escrutínio" depois das tempestades
O PS aceitou o pedido do Governo, para adiar o debate quinzenal. O líder parlamentar socialista, Eurico Brilhante Dias, explica que o partido compreende o pedido do Executivo, mas espera que o debate seja feito na próxima semana.
"Compreendemos a circunstância. Em função do pedido formal, o Partido Socialista deu a sua anuência ao reagendamento. Aquilo que naturalmente pedimos é que o debate quinzenal seja feito o mais brevemente possível, dentro das condições que temos, sugerindo a possibilidade de que seja realizado na próxima semana, caso o Governo tenha essa disponibilidade no quadro das suas atividades", explica à TSF Eurico Brilhante Dias.
Na agenda, já está um debate marcado para o dia 25 de fevereiro, mas o líder parlamentar socialista espera que não seja essa a nova data. Eurico Brilhante Dias considera que o Governo tem de dar explicações mais cedo.
"Não seria a solução ótima, significaria que neste momento tão difícil, depois do furacão Kristin, da demissão de uma ministra e de todas as incidências futuras, o Parlamento não teria um momento de escrutínio, o que nos parece importante. Eu recordo que mesmo nas circunstâncias mais difíceis, foi feito um enorme esforço durante a pandemia para que o Parlamento continuasse a funcionar. O nosso trabalho é regressar ao contacto com o Governo e perguntar se está disponível para fazer esse debate", sublinha.
O Governo pediu esta quinta-feira ao presidente da Assembleia da República novo adiamento do debate quinzenal com o primeiro-ministro, previsto para sexta-feira, devido ao agravamento da situação na região centro em consequência das condições meteorológicas extremas.
Fonte do gabinete do presidente da Assembleia da República adianta à TSF que o Governo pediu o adiamento do debate quinzenal. Face a esse pedido, José Pedro Aguiar-Branco mantém consultas com os grupos parlamentares, sugerindo que, na conferência de líderes da próxima quarta-feira, seja decidida uma nova data para o debate quinzenal.
Se existir unanimidade entre os partidos e o Governo, pode ser acertada uma data que será confirmada em conferência de líderes.
Na quarta-feira, também devido à situação na região de Coimbra, atingida por inundações, os partidos, por consenso, após uma reunião da conferência de líderes extraordinária, remarcaram o debate quinzenal para sexta-feira às 10h00. Uma decisão que possibilitou que Luís Montenegro se deslocasse às zonas do rio Mondego atingidas pelas inundações, juntamente com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.
Agora, o Governo considera que se assistiu a um novo agravamento substancial das condições meteorológicas extremas após a reunião da conferência de líderes de quarta-feira à tarde - altura em que se decidiu remarcar o debate para sexta-feira, às 10h00.
O Governo alega que na região de Coimbra há neste momento milhares de pessoas desalojadas e a autoestrada Lisboa/Porto está interrompida devido à rutura de um dique no rio Mondego. Por outro lado, ainda no domínio dos transportes, aponta-se que está também interrompida a circulação ferroviária na Linha do Norte.
Perante este quadro, o Governo entende que não se encontram reunidas as condições para a realização do debate quinzenal no parlamento, já que o primeiro-ministro, entre outras razões, tem necessidade de estar no terreno, no acompanhamento direto da situação.
