"Quem não deve, não teme": Gouveia e Melo sem "nada a esconder" sobre ajustes diretos na Marinha

Manuel de Almeida/Lusa (arquivo)
O almirante na reserva confessa "estranhar" o momento em que são levantadas estas suspeitas: "Como é que a 15 dias do fim do processo eleitoral, aparece uma coisa de 2017 ou 2018? Não é uma coincidência?"
O candidato a Belém Henrique Gouveia e Melo garante não ter "nada a esconder" depois de ter sido revelado que o Ministério Público está a investigar vários ajustes diretos que alegadamente envolvem o almirante na reserva.
Numa reação a esta notícia avançada pela revista Sábado, Gouveia e Melo, em declarações aos jornalistas nos Açores, começa por sublinhar que "quem não deve, não teme". E completa assegurando que nunca beneficiou alguém que não o Estado.
"Sou totalmente transparente. Se for notificado, vou responder. Nós não escondemos nada. Ainda por cima, os processos de contratação pública, obrigatoriamente, estão todos disponíveis", vinca.
Henrique Gouveia e Melo diz ainda que nunca foi notificado, nem ouvido em nenhuma das qualidades, acrescentando que nem conhecia a existência do processo no DCIAP de Almada, tendo descoberto apenas pela Sábado. Reforça, assim, que não tem "nada a esconder", nem mesmo algo que o "envergonhe". Durante toda a sua vida, diz, só recebeu o seu ordenado.
"Se quiserem tirar dúvidas, por favor, chamem-me que eu vou tirar as dúvidas que forem necessárias sobre os meus procedimentos, sobre a forma como decidi, porque é que decidi de uma determinada maneira. Eu estou completamente tranquilo", nota.
Ainda que admita já ter ouvido falar da empresa Proskipper - a quem terá feito uma excessiva concentração de ajustes diretos - por conta dos problemas que agora foram levantados, afirma que nunca "contactou" a mesma, desconhecendo por isso quem são os seus proprietários.
"Nem sei exatamente qual era a atividade e, portanto, estou completamente a leste", assume, acrescentando que não falava com "nenhum fornecedor" porque não era sequer responsável pelos fornecimentos da Marinha.
O candidato à Presidência da República estranha também o momento em que surge esta notícia. "Como é que a 15 dias do fim do processo eleitoral, aparece uma coisa de 2017 ou 2018? Não é uma coincidência? E essa coincidência acho muito estranha", atira.
Apontando ainda que não é "opaco", refere que não teve "nenhum empresário" que lhe pagasse ou a quem estivesse associado, numa possível referência a Luís Marques Mendes, que recebeu cinco mil euros da empresa ACA durante cinco anos para fazer consultoria.
"Alguém já me acusou disso? Se alguém me acusar disso que me acuse na cara, porque só ganhei o meu ordenado, nunca tive contactos com fornecedores. Venham-me acusar na cara e com provas de que eu tive ganhos diretos, não venham é insinuar", apela.
Há quatro anos, a Polícia Judiciária Militar investigou o caso e entregou um relatório ao Ministério Público que detetou uma excessiva concentração de ajustes diretos à empresa Proskipper. Ao todo são 57 contratos suspeitos que terão sido aprovados pelo atual candidato à Presidência da República. No ano passado o Tribunal de Contas emitiu um perdão relativamente a eventuais infrações financeiras, o processo mantém-se em inquérito no Departamento de Investigação e Ação Penal de Almada.
