Seguro garante que não é por si que legislatura "será interrompida", mas avisa que quer Portugal "melhor na organização do que no improviso"

Créditos: Miguel A. Lopes/EPA
António José Seguro deixa uma promessa à população afetada pela depressão Kristin: "Não vos esquecerei e não vos abandonarei"
O Presidente eleito reagiu aos resultados eleitorais deste domingo assumindo que não esperava votação "desta grandeza". António José Seguro garante que não é por si que a legislatura "será interrompida", mas promete um exercício "vigilante" e "exigente" do cargo, apontando que quer Portugal "melhor na organização do que no improviso".
Num discurso feito a partir da sede da sua candidatura, nas Caldas da Rainha, António José Seguro começa por deixar uma "palavra de pesar" pelas "15 vidas perdidas" devido à tempestade Kristin. Manifesta ainda total solidariedade com aqueles que têm as suas vidas condicionadas, seja porque ficaram sem casa ou viram as suas empresas afetadas. Insiste que a solidariedade dos portugueses "não podem nunca substituir a responsabilidade do Estado". E afirma que os 2,5 mil milhões de euros anunciados pelo Governo têm de chegar "agora" ao terreno, sublinhando que não vai aceitar "burocracias".
"Não vos esquecerei e não vos abandonarei", assegura, destacando que há ainda "muito trabalho a fazer".
Aponta que Portugal tem de ser "melhor na organização do que no improviso" e reforça a necessidade de preparar os impactos de fenómenos adversos.
Já sobre as eleições desta noite, Seguro afirma que os vencedores são "os portugueses e a democracia". "Os portugueses por terem, em condições muito adversas, superado mais um desafio e afirmado a sua democracia. A democracia porque o processo e o resultado evidenciam uma forte adesão aos valores democráticos e um Portugal unido na sua identidade coletiva", assinala.
António José Seguro deixa ainda uma palavra a André Ventura, afirmando que todos os concorreram contra si "merecem" o seu "respeito". A partir desta noite, diz, deixam de ser adversários e têm o "dever partilhado" de lutar por um Portugal "mais justo".
"A maioria que me elegeu extingui-se esta noite", assegura.
A falar de "coração cheio de gratidão, emoção e responsabilidade", o chefe de Estado eleito lembra igualmente o caminho que percorreu até aqui. "Lembro-me do jovem que acreditou que a democracia pode mudar vidas", atira, esclarecendo que "continua a pensar igual".
"Sou um de vós. Sou um de nós. Esta vitória não é minha. É nossa. É de cada pessoa que acreditou e tem esperança num país melhor", salienta.
António José Seguro pede um país que "avança sem deixar ninguém para trás" e aceita "com grande emoção" o cargo de Presidente da República.
Volta, por isso, a referir que quer ser o Presidente de "todos, todos, todos os portugueses" - incluindo aqueles que não votaram em si.
Seguro, que saúda Marcelo e todos os Presidentes anteriores pelo trabalho desenvolvido, garante que liderará o país ao seu próprio "estilo". Reafirma agora a sua "lealdade à Constituição", apontando que a sua "liberdade" é a "garantia" da sua "independência".
"Vou tratar todos os partidos por igual", garante, completando ainda que promeverá "relações profícuas" no Parlamento. Apesar de "não ser oposição", avisa que será "exigência".
Tal como Luís Montenegro, destaca a abertura de um "novo ciclo" de três anos sem eleições nacionais. "Não há desculpas. Portugal tem uma oportunidade única para que os partidos, o Parlamento e o Governo encontrem soluções duradouras para resolver os grandes problemas que enfrentamos", atira.
Como exemplo das adversidades mencionadas, refere desde logo a urgência de planear a resposta do Estado a catástrofes naturais. "Não há tempo a perder", refere.
"Serei o impulsionador dessa mudança. (...) Comigo, não ficará tudo na mesma. Estarei vigilante", assevera, completando que, em Belém, "os interesses ficam à porta".
A sua palavra, diz, "terá peso e consequência". E expressa a sua crença na capacidade de reconstruir o país.
"Somos maiores do que qualquer crise. O futuro não se espera. Faz-se. Portugal tem todas as condições para ser melhor", vinca.
Termina o discurso ressalvando que a sua lealdade, em primeiro lugar, "está com os portugueses e as portuguesas", sendo este o "norte" da sua ação.
Questionado pelos jornalistas sobre que tipo de Presidente vai ser no que diz respeito à relação com o Governo, António José Seguro garante que "será leal" e promotor de uma "relação institucional profícua". Destaca que, até 9 de março, será "respeitador" das decisões de Marcelo Rebelo de Sousa.
Quanto à duração da legislatura, garante que não será por si "que ela será interrompida".
